Depois de acumular por 13 rodadas consecutivas, a Mega-Sena dá uma nova chance para quem quiser tentar a sorte grande no sorteio nesta quarta-feira. O prêmio, que era de R$ 140 milhões no último sábado, chegou a R$ 170 milhões e já é o terceiro maior da história, sem contar a Mega-Sena da Virada. A vontade de pôr as mãos na bufunfa fez muita gente sair de casa e enfrentar as filas em casas lotéricas do Rio durante a semana.
Desempregada há um ano, a antes vendedora Paloma Ferreira, de 22 anos, esperou 20 minutos na fila de uma lotérica no Méier, na Zona Norte da capital, para fazer dois jogos: um para si e um para o marido. Sem conseguir trabalho, a jovem pretende usar o dinheiro para tentar a vida em outro país:
— Queria me mudar para o exterior, começar do zero. Aqui está muito difícil, com a violência e a crise econômica — disse.
Já o porteiro Raimundo Ribeiro, de 54 anos, que estava na fila de outra casa lotérica, dessa vez na Tijuca, conta que pretende continuar no Brasil. Mas se engana quem pensa que ele sonha com uma vida luxuosa: Raimundo diz que só quer se aposentar e “se esconder” em algum canto isolado do interior do país.
— Meu plano é sumir do mapa. Compro uma casinha no meio do nada, enterro o dinheiro no quintal e não dou para ninguém. Quero sossego. E se alguém vier falar de trabalho perto de mim, eu brigo — brincou.
A ideia de Raimundo ganhou o apoio da esposa, a dona de casa Bárbara de Fátima, de 44 anos, que aponta as dificuldades financeiras como motivo de muitas brigas do casal:
— Estamos juntos há dez anos. Vira e mexe, discutimos por causa de dinheiro. É um tal de briga, separa e volta, um ciclo sem fim. Acho que se a gente ganhar, não separamos mais — afirmou.
Prêmio alto atrai mais apostadores
Gerente de duas casas lotéricas no Méier, Rui Moura, de 49 anos, comemorou a alta procura por apostas nos últimos dias. Somente no último sábado, foram 2.161 volantes, que podem ter de um a dez jogos cada. Ele conta que, em sábados normais, o número de volantes vendidos fica entre 500 e 600.
— Além do valor acumulado, a data do sorteio, no início do mês, também ajuda muito. Os clientes acabaram de receber, então podem apostar mais — explicou ele.
Para Rui, que faz questão de jogar todos os dias, a velha máxima “casa de ferreiro, espeto de pau” nem sempre é verdadeira.
— Já ganhei R$ 8 mil em um bolão com amigos. Digo que, se um dia a loja fechar, é porque eu ganhei na Mega. Espero que quarta seja o meu dia de sorte — apostou.
O valor mínimo da aposta presencial na Mega-Sena é de R$ 3,50. A probabilidade de alguém ganhar sozinho é de uma a cada 50.063.860. Apesar da probabilidade restrita, a aposentada Josefina Ferreira, de 57 anos, decidiu tentar a sorte dessa vez.
— Não costumo jogar com frequência. Sempre espero acumular para ganhar mais — contou ela, que pretende cuidar da saúde com o prêmio.
Se, por um lado, a dinheirama atrai mais apostadores, há quem prefira jogar quando o prêmio é menor. É o caso do aposentado Jurantier Barbosa, de 79 anos, que acredita que R$ 170 milhões é “dinheiro demais”.
— Se eu soubesse que tinha acumulado, nem tinha vindo. Não preciso disso tudo. Mas não vou reclamar se tirar a sorte grande — garantiu ele, que pretende utilizar o prêmio para ajudar a família.
Além das apostas presenciais, também é possível jogar na Mega-Sena pela internet, por meio do site Loterias Online da Caixa. O valor mínimo da aposta virtual é de R$ 30. É necessário ter cartão de crédito para a operação. Apesar da comodidade de fazer a fezinha em casa, há quem prefira comparecer à casa lotérica, como o motorista Francisco Miranda, de 51 anos, que já incorporou o “pulinho” na loteria à rotina.
— Passo aqui em frente quase todo dia, então entro duas vezes por semana para apostar. Gosto da emoção de ter o bilhete na mão — contou.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior