O desaparecimento da linha 36 expressa (Alvorada-Fundão), do BRT Trsanscarioca, está provocando protestos de usuários do sistema. No fim do ano passado, o serviço foi suspenso sob a alegação de que não teria tanta demanda de passageiros durante as férias dos alunos da UFRJ. A expectativa era que os ônibus voltassem a circular este mês, mas, segundo a própria concessionária, não há previsão para a normalização do trecho.
Sem a linha, os passageiros estão tendo que fazer uma grande baldeação para chegar ao seu destino. Estudante de Letras da UFRJ, Mateus Pranto, de 21 anos, encara um caminho diferente todos os dias. Moradora de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, ele sai de casa às 10h, pega o trajeto Alvorada-Penha e desce na estação Madureira-Manacéia, em Vicente de Carvalho ou na Penha.
— Se eu descer em Madureira ou em Vicente de Carvalho, embarco num semidireto para o Galeão, que para no Fundão. Se eu descer na Penha, preciso pegar um parador até o Fundão. O trajeto ficou mais longo e confuso. Os ônibus também sempre vêm superlotados — reclama Pranto.
BALDEAÇÃO, AGORA, É OBRIGATÓRIA
Como alternativa à extinção da linha 36, a concessionária BRT Rio criou a linha 43 (Fundão-Santa Efigênia), também expresso, que opera somente de segunda a sexta, das 4h20m às 9h20m, no sentindo Fundão, e das 15h às 19h10m, no sentido Santa Efigênia. A concessionária manteve também a linha 30 (Alvorada-Galeão), que é semidireto, que para em quatro estações no trajeto. Quem usa o transporte afirma que os intervalos das linhas alternativas são maiores, se comparados com os da antiga linha. A espera, segundo os usuários, pode chegar a até 25 minutos.
— Nós temos que fazer mais baldeação. Além disso, as estações e os ônibus estão mais lotados. Isso está atrasando a nossa vida. O expresso passava toda hora, a espera não chegava a 10 minutos — diz a assistente administrativa Mônica Cristina Ferreira, de 50 anos, moradora de Guaratiba, na Zona Oeste.
A Prefeitura do Rio, através da Secretaria municipal de Transportes, que é responsável por fiscalizar o BRT, informou que a paralisação da linha 36, “mesmo em caráter experimental, não foi autorizada”. Diante disso, a administração municipal notificou o consórcio para que preste esclarecimentos sobre o fato e já aplicou as penalidades previstas no Código Disciplinar, que prevê autuação de 520 Ufir (R$ 1.663,48) por interrupção de linha por mais de 24 horas. Além disso, foi aberto um processo administrativo que pode geral multa contratual à concessonária BRT Rio.
A empresa responsável pelo transporte, por sua vez, disse não ter sido notificada, mas alegou ter comunicado, diversas vezes, sobre os problemas da linha à prefeitura. A diretora de Relações Institucionais do BRT, Suzy Balloussier, culpa a crise financeira e a falta de conservação no corredor Transcarioca pela extinção da linha 36.
— Por causa das péssimas condições de pavimentação do corredor Transcarioca, o número de ônibus articulados quebrados aumentou. Se a prefeitura conseguir cuidar da pavimentação, consigo ter mais frota. Infelizmente, não é o que desejamos para os passageiros, mas esse trecho (o da linha 36) possui outras opções que conseguem suprir a linha Alvorada-Fundão.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior