Atividades radicais e junto à natureza são opções em Niterói

O verão sai de cena no dia 20 de março com suas altas temperaturas e sensações térmicas ainda mais elevadas. Dentro de casa — fora do ar-condicionado! — , a impressão é de que o calor é maior do que na realidade. A melhor opção é, portanto, sair da zona de (des)conforto e aproveitar melhor o fim da estação fervilhante. Com tantas atividades esportivas, matar o tempo e o calor não é difícil. Pelo contrário. Sucesso na Marquês de Sapucaí, na comissão de frente da Portela, o flyboard, equipamento que permite a sensação de voar sobre as águas, pode ser praticado por aqui: Itaipu, Itacoatiara, Icaraí e São Francisco são os points. Febre do verão passado nas praias, o crossfit invadiu as academias e estúdios para aqueles que não estão só em busca do corpo perfeito, mas também de condicionamento físico. E um projeto que começou voltado para estimular universitários a praticarem exercícios, o UFF Experience, já alcança um público que vai além e procura atividades alternativas, como vivência na “selva” e aulas de arco e flecha.

Com o objetivo de levar mais qualidade de vida para as pessoas e colocá-las em contato com a natureza, os niteroienses Daniel Rodrigues e Gustavo Queiroz abriram em dezembro a Green Sports. A empresa oferece serviços como travessias de stand up paddle de Itaipu à Ilha Mãe, local onde quebram ondas que permitem a prática do surfe com pranchão e remo; wakesurfe, esporte que mistura movimentos de surfe, skate, skimboard e wakeboard, em Itaipu; e motocross pelo Caminho de Darwin, que leva a Maricá, passando por cachoeiras, entre outras atividades como aulas de skate e surfe. O carro-chefe, porém, é o flyboard.

— O flyboard é uma plataforma impulsionada pela pressão de água que sai de uma mangueira conectada a uma moto aquática. Ele permite que o usuário alcance uma altura de 15 metros. A pessoa tem a sensação de estar voando enquanto a adrenalina circula por seu corpo. Apesar de ser uma brincadeira que cansa, pode ser praticado por pessoas de qualquer faixa etária, só é preciso que o mar esteja calmo — garante Daniel Rodrigues.

ALUGUEL ATÉ PARA SELFIE

Para brincar de voar e fazer manobras com o equipamento criado pelo francês Franky Zapata em 2011, é preciso manter as pernas esticadas e o abdômen contraído. Para ter um para chamar se seu, também tem que estar disposto a desembolsar R$ 25 mil e ter uma moto aquática de pelo menos 1.800 cilindradas, cujo valor fica em torno de R$ 50 mil. Rodrigues e Queiroz alugam o brinquedinho por R$ 300 (meia hora) e R$ 180 (15 minutos).

— É o tempo que recomendamos — orienta Rodrigues, que ainda dá uma terceira opção. — Como o que muita gente hoje quer é tirar uma foto para postar nas redes sociais e eternizar o momento, também temos a taxa de R$ 90 para fazer uma fotografia.

Uma outra proposta, com preços mais acessíveis, surgiu em outubro, a partir de uma ideia dos amigos Guilherme Lapolli e Tieê Ortlieb. Eles criaram a UFF Experience, que oferece diferentes atividades esportivas. Inicialmente, era direcionado a universitários, para que se tornassem mais ativos. Hoje, com quatro meses de existência, a página da dupla no Facebook tem mais de três mil curtidas.

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— Minha avó Vera Vieira foi a primeira guia de alpinismo do Rio e meu pai, Maurício Mota, é um escalador que tem uma via na Urca batizada em sua homenagem. Desde pequeno, tive contato com esportes na natureza e, quando cresci, fiquei com vontade de levar isso para as pessoas. Como o meu pai tem, há cinco anos, uma empresa de treinamento com instrutores alpinistas, militares, bombeiros, pilotos da aviação civil e policiais, consegui firmar uma parceria com esses profissionais para promover um serviço de qualidade com preço viável para estudantes — conta Lapolli.

Guilherme abriu uma empresa que vende vivências na floresta, Le Parkour e Arco e Flecha – Hermes de Paula
Entre as opções oferecidas pela UFF Experience estão curso de arco e flecha, sobrevivência na selva, trilhas, mergulhos, passeios de balão, curso de escalada, rafting, workshop de parkour e rapel.

— Ano passado fizemos um rapel grátis na Urca, e muita gente nos procurou. Estamos tentando focar em eventos gratuitos e cursos que abatem horas na faculdade. A demanda é maior do que a nossa oferta. Já houve casos de, em eventos já lotados, as pessoas aparecem na hora com dinheiro pedindo para participar — diz Lapolli.

O crossfit não é uma prática nova de exercícios, mas, neste verão, as atividades que associam força e condicionamento físico ganharam fama em academias e estúdios. Os resultados no corpo, por conta da alta intensidade dos treinos, podem vir rápido, o que conquista os chamados atletas de fim de semana. Por outro lado, o objetivo final — diferentemente da vontade da maioria de homens e mulheres — não é simplesmente emagrecer. Perder peso é consequência da dedicação, diz o coach Rodrigo Sant’Anna.

— O crossfit melhora o condicionamento físico. A parte estética vem como resultado dos treinos constantes, assim como a melhoria da qualidade de vida. As aulas dão mais flexibilidade, equilíbrio. A pessoa fica pronta para qualquer tipo de situação, desde correr para pegar um ônibus até carregar sacolas — lista Sant’Anna, que é professor no box Crossfit Ilha Icaraí, aberto em dezembro, na academia X-Fusion.

A aluna Juliana Bello assina embaixo:

— Comecei a praticar porque queria emagrecer, mas essa fase passou. É uma filosofia de vida.

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Um treino de crossfit dura cerca de uma hora, e as atividades são alternadas entre levantamento de peso olímpico, ginástica olímpica e condicionamento metabólico. Na prática, são exercícios como corrida, pedalada, agachamento e levantamento com argolas.

A maioria dos praticantes do esporte ainda é jovem, mas essa não precisa ser uma regra. Os treinos, diz o coach, são adaptados para o condicionamento físico e as necessidades específicas de cada um:

— Não é receita de bolo. O resultado depende de outros fatores, como horas de sono bem dormidas, alimentação balanceada, a fisiologia e o biotipo do praticante.

Fonte: o GLobo
Foto: Divulgação/Bruno Santana
Postado por: Raul MOtta Junior