A obra do novo Elevado do Joá foi elogiada por aqueles que enxergaram melhora no trânsito da região. A construção, porém, trouxe um problema inesperado. Moradores da Barrinha e da Joatinga denunciam que, depois de inaugurado, o viaduto passou a servir como abrigo para moradores de rua, e uma consequência teria sido o aumento da criminalidade. Diante da situação, a Sociedade dos Amigos da Joatinga (Sajo) encontrou uma solução polêmica: isolar praticamente todo o espaço embaixo do novo elevado, onde se concentra a população de rua, com a construção de um muro e de uma guarita, estendendo a área pública controlada pela associação.
— Com o aumento da população de rua, conversamos com a subprefeitura e pedimos autorização para fazer as obras — diz um diretor da Sajo, que pediu para não ser identificado.
Atualmente, o portão de saída da Sajo, para quem desce a Joatinga, encontra-se no fim da Rua Presciliano da Silva. Com a obra, o novo portão ficaria cerca de 20 metros à frente, próximo à Rua Maria Luisa Pitanga. Ali estão sendo erguidos a guarita e o muro, restando apenas um estreito corredor na lateral, para que se possa subir até a ciclovia, vindo da Maria Luisa Pitanga.
Segundo Daniel Uzai, morador da Joatinga, a medida é necessária.
— Antigamente havia dois moradores de rua que dormiam por aqui; a gente os conhecia, era tranquilo. Mas agora vieram cracudos e bandidos. Só este ano três casas foram assaltadas. E os novos moradores deixam espalhados roupas e detritos que acabam poluindo o Canal de Marapendi. Esse pessoal dormia embaixo do antigo viaduto, mas a prefeitura botou pedras lá e eles vieram para cá.
Apesar de relatar o aumento da criminalidade, Uzai admite que não é comprovada a relação entre o aumento do número de moradores de rua embaixo do elevado e o de crimes.
— Não dá para cravar que exista relação. A não ser no caso de um assalto, há dois anos, em que encontramos a moto usada no crime escondida aqui perto da mata — diz. — Por muito tempo, ficava um breu nessa área, o que aumentava o perigo. Nós reivindicamos e conseguimos a instalação de um ponto de iluminação embaixo do viaduto, há três meses.
A irmã de Daniel, Janaína Uzai, calcula que cerca de 15 pessoas durmam no local. Ela diz que houve falta de diálogo entre o poder público e os moradores durante as obras do Novo Joá.
— Praticamente não falavam conosco. Essa medida se tornou necessária porque o poder público não foi capaz de garantir a segurança; então, o privado teve que ocupar o espaço — justifica.
E a intenção realmente parece ser ocupar o local. Daniel Uzai conta que sugeriu aos vizinhos instalar um guardador para pranchas embaixo do elevado:
— Assim podemos alugar para o pessoal passear de stand up paddle pelo canal.
A Subprefeitura da Barra e Jacarepaguá confirma ter dado autorização para a construção da nova guarita.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Hermes de Paula