Artistas do Grupo Arrepia encenam novo espetáculo na região onde moram

Em uma das varandas da casa de Maria Pia Carone, com vista para a vegetação preservada entre São Conrado e o Joá, o Grupo Arrepia ensaia. Os projetos, sempre com viés de educação ambiental, são voltados para o público infantojuvenil. O espaço funciona como base da trupe fundada pelas diretoras e produtoras Maria Pia e Renata Guaraná.

O endereço é também o porto seguro de três atrizes vindas de outros estados que fixaram residência próximo à sede do Arrepia. A gaúcha Aline Jones e a carioca Daniela Rico, que morava em Florianópolis desde os 2 anos, escolheram a Barrinha para se instalar. Já a mineira Jordana Luchini mora na Estrada do Joá, a “dez minutinhos” de distância da casa de Maria Pia, destaca. O contato, conta a diretora, sai do palco para o dia a dia.

— O grupo acabou se transformando numa família, principalmente por elas serem de fora do Rio. Aqui elas têm apoio, se precisarem de algo. Nós nos encontramos para outras coisas, porque ficamos amigas — diz Maria Pia.

A curta distância também proporciona mais segurança na hora de voltar para casa quando os ensaios se alongam — e eles podem durar seis horas ou mais. No momento, as artistas afinam o novo espetáculo, “O que é da mata, não se cata”.

— Facilita morar perto, tanto para chegar rápido como na hora de sair daqui às 11h da noite. Nós temos uma rotina longa, porque os ensaios, depois de um tempo, viram brincadeira — conta Daniela.

As integrantes do Grupo Arrepia no espaço onde guardam o cenário da peça ‘O rei do lixo’ – Fernando Lemos / Agência O Globo
Na sede do grupo fica guardado o material para espetáculos como “O rei do lixo”, montado há oito anos, incluindo três estruturas de cenário, para palcos de tamanhos variados. Também no espaço rodeado de verde é que o musical “O que é da mata, não se cata” foi criado. A montagem, com músicas de Claudio DaMatta, rodou escolas da rede QI em sua estreia na região, na semana passada.

A trama se concentra em Tita, uma menina que gosta de colecionar o que acha de interessante na natureza. Ela monta na própria casa um museu com conchas do mar, flores e plantas, entre outros itens. Até que conhece João, um apaixonado por pássaros que faz com que ela passe a pensar de maneira diferente.

— A Tita passa a entender que cada elemento tem seu lugar na natureza. O público acompanha o amadurecimento dela — conta Jordana, que dá vida à protagonista.

Maria Pia completa:

— A montagem passa a mensagem de preservação mostrando a degradação que promovemos o tempo todo. É uma flor que tiramos para colocar no cabelo, um inseto que matamos só por não o acharmos bonito…

“O que é da mata, não se cata” vai continuar rodando escolas da cidade. Simultaneamente, o Grupo Arrepia negocia sua apresentação em teatros da região.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fernando Lemos / Agência O Globo