A noite carioca costuma ser embalada pelos mais variados tipos de músicos. Porém, quando bares e casas noturnas fecharam devido ao avanço do novo coronavírus, eles foram obrigados a fazer silêncio, pelo menos presencialmente. Com eventos cancelados, os cachês se transformaram em doações, e a solução é continuar divulgando o trabalho virtualmente, seja com shows em casa ou com canções nas plataformas digitais.
Chico Vaz é baixista do grupo Trio Frito, que há três anos se apresenta em bares e casas de show pela cidade. Em maio, a banda tocaria no Coordenadas Bar, em Botafogo, mas a agenda foi cancelada. O músico conta que uma das ideias que teve para gerar renda foi oferecer aulas on-line de ukulelê e violão.
— Existem plataformas em que fazemos uma apresentação e colocamos um valor sugerido por ela para os espectadores doarem, mas isso não garante nada. Estamos fazendo algumas lives e pedindo contribuições. Lançamos alguns singles no digital e conseguimos trazer e manter um público — diz.
Aos sábados à noite, a programação do Alice Bar, em Botafogo, ficava por conta da banda Sina — com um repertório para todos os gostos, indo da MPB ao axé. Mesmo longe dos palcos, o vocalista Philipe Carneiro acredita que o momento seja de esperança e de reflexão. Ele deseja que a situação passe o quanto antes para que os encontros voltem a acontecer. Assim como Carneiro, o músico Felipe Diaz entende a situação de forma positiva e pretende usar este tempo para compor e divulgar o resultado nas plataformas digitais.
A produtora Ana Wuensche conta que teve que focar totalmente na geração de conteúdo digital de seus clientes, descobrindo novas ferramentas. Uma das bandas que produz, a Caravana Cigana do Blues, está usando a hashtag #aCaravananãopara.
— Não podemos parar de levar música para as pessoas, não podemos parar de fazer música. Ela cura, tanto para quem faz quanto para quem ouve. Precisamos criar conteúdo para suprir a necessidade de entretenimento, que é uma das coisas que mais fazem falta nessa quarentena — afirma Ana.
Para ajudar os artistas, o quiosque Coisa de Carioca, em Copacabana, criou a campanha #ApoieumMúsico: uma contribuição virtual com renda 100% revertida para os 13 colaboradores que se apresentam no local.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior