Ar puro e água fresca atraem visitantes no Parque da Tijuca

A pouco mais de cinco quilômetros da sempre engarrafada Rua Jardim Botânico, há um Rio diferente, que começa no fim da Pacheco Leão. O barulho e a sujeira do trânsito, o vaivém das multidões, tudo fica para trás da guarita do Parque Nacional da Tijuca. A floresta acorda antes da cidade, com vozes de aves, macacos e insetos. Às 5h, está a toda. Mas sem pressa ou confusão. Depois das 6h, a luz do sol entra aqui e ali entre as árvores, no único lugar do Rio que oferece sempre sombra a qualquer hora, seja inverno, seja verão.
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Pedro da Cunha Menezes está finalizando o mapeamento da trilha TranscariocaRitmo olímpico para sinalizar toda a Trilha Transcarioca
— Você muda de planeta. Incrível é que moro na Lagoa e nunca tinha vindo, dá uns seis quilômetros da minha casa. Me sinto um tolo. O que fiz todos esses anos que não aproveitei? Há flores, nascentes e córregos — exclama o professor de história Claudio Dias, que na quarta-feira passada subia até a Vista Chinesa por uma das trilhas do Horto.

INFLUÊNCIA ESTRANGEIRA

Ele foi convencido a conhecer as trilhas do Solar da Imperatriz por amigos estrangeiros, que vieram para os Jogos.

— Envergonha ter precisado de estímulo de fora — brinca. — Mas agora virei sempre.

Nem precisa ser professor de história para saber que foi o medo da falta d’água que levou o imperador D. Pedro II a mandar replantar a Mata Atlântica. Sem imaginar, ele prestou um serviço ainda maior. Se não fosse a floresta, o Rio seria cerca de 4 graus Celsius mais quente, e a poluição, pior.

— O ar aqui é mais puro. Li sobre a Trilha Transcarioca e resolvi conhecê-la. É perto e fácil mesmo. Subi pelo Alto da Boa Vista e desci pelo mato até a Mesa do Imperador. Viajo para passear pela natureza e nunca tinha visitado a que fica ao lado da minha casa — afirma a estudante de Letras Vitória Linhares, moradora do Grajaú.

Fonte: O Globo
Foto: Felipe Hanover
Postado por: Raul Motta Junior