Há seis anos, José Cavalcante, o Zé da Lagoa, morava numa casa irregular num terreno da União, concedido ao Clube da Aeronáutica, na Barra, onde iniciou um trabalho voluntário de retirada de resíduos da Lagoa de Jacarepaguá. A ação, elogiada por moradores da região, foi, inclusive, tema de reportagem do GLOBO-Barra. Neste início de ano, a história do catador sofreu uma reviravolta. Ou melhor, duas.
Após ser despejado, numa ação de reintegração de posse, em janeiro, Zé da Lagoa tocará seu projeto numa área da prefeitura, a poucos metros de sua residência anterior, que foi demolida, assim como outras duas casas existentes no local.
A disputa vinha sendo travada na Justiça desde 2017. No mês passado, a União venceu a ação. Sem ter onde morar, Zé se mudou provisoriamente para um abrigo a menos de dez metros do local, erguido numa área da prefeitura.
Dez dias após a remoção, a advogada Christiane Bernardo intermediou um encontro entre ele e o subsecretário de Meio Ambiente, Justino Carvalho. Na reunião, Zé se comprometeu a elaborar um projeto para o local, a fim de obter a concessão da área. A Subsecretaria de Meio Ambiente confirma a negociação.
— Também estou em fase de regularizar minha atividade, para poder fazer parcerias — diz Zé.
O catador passará a viver num imóvel cedido por uma empresa da região.
— Conseguimos um anexo de uma casa, que estava vazio. Pedi que permitissem que o Zé fizesse um comodato e a empresa aceitou. Ele vai levar a família para morar lá dignamente, com água, luz e esgoto — diz Cristiane Bernardo.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior