Depois da Linha Amarela , a Transolímpica — inaugurada em 2016 — pode ser o próximo alvo da prefeitura. Com 13 quilômetros concedidos (menor que os 17,4 quilômetros da Linha Amarela), o motorista também tem que pagar R$ 7,50, na ida e na volta, para cruzar a autoestrada entre as avenidas Brasil, em Deodoro, e Salvador Allende, no Recreio. Dados do Tribunal de Contas do Município (TCM) revelam que sete alterações contratuais feitas entre 2012 e 2016 duplicaram os investimentos da prefeitura na via, que subiram de R$ 1,07 bilhão para R$ 2,05 bilhões. A cobrança de pedágio na via começou em agosto de 2016, durante a Olimpíada.
O novo secretário de Transportes, Paulo Cesar Amendola, que tomou posse na semana passada, diz que a prioridade da prefeitura, no momento, é a Linha Amarela. Mas informa que todos os contratos de concessão são estudados por equipes técnicas da pasta.
— A partir de quarta-feira, vou analisar cada um deles — afirmou.
Apesar de condenar a ação da prefeitura “de vandalizar as cabines de pedágio da Linha Amarela”, em relação à Transolímpica, a vereadora Teresa Bergher (PSDB) vai ingressar com representação no Ministério Público:
— É preciso apurar se há desequilíbrio financeiro que justifique um pedágio tão alto e a duplicação dos aumentos dos investimentos públicos.
Com a concessão da Transolímpica até abril de 2047, a ViaRio (CCR e Invepar ) garante que “vem seguindo todas as normas contratuais”. Segundo ela, em média, 54.700 veículos trafegam pela via por dia, número inferior ao previsto na licitação. Em valores de 2011, informou que foram investidos R$ 2,1 bilhões na autoestrada, sendo R$ 500 milhões pela concessionária.
Já o presidente-executivo da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Borges, embora considere a situação da Transolímpica distinta, espera que a prefeitura não repita o que fez na Linha Amarela:
— Se essa situação persistir, a cidade do Rio deixará de ser um local seguro para se fazer negócios, o que afugentaria investidores nacionais e estrangeiros. Poderia, inclusive, contaminar a percepção sobre o risco jurídico de se fazer negócios no Brasil.
Queda de braço
No setor de transportes, concessionárias e prefeitura vivem em constante queda de braço. Há sete meses, o prefeito Marcelo Crivella chegou a chamar o VLT de “porcaria” por causa do custo dos subsídios. Recentemente, porém, participou da inauguração da Linha 3 (Central-Santos Dumont) e assinou acordo estabelecendo um ajuste entre o movimento diário de passageiros inicialmente esperado e a quantidade real registrada.
Em 2018, o consórcio BRT ingressou com ação contra a prefeitura alegando falta de segurança e evasão. Em janeiro deste ano, a prefeitura decretou intervenção no sistema, que foi encerrada em julho sem qualquer melhoria. Na ocasião, foi assinado um acordo, que está tendo cláusulas rediscutidas.
Com as linhas de ônibus municipais, licitadas pela primeira vez em 2010, não foi diferente. O compromisso, por exemplo, de ter todos os ônibus refrigerados para a Olimpíada foi descumprido. Em julho do 2018, um termo de conciliação postergou o prazo para setembro de 2020. Hoje, está em 83%, segundo o Rio Ônibus.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior