Após fogo em moradia da UFRJ, alunos recebem doações de colegas

Quase uma semana após um incêndio ter destruído parte da Ala B do alojamento estudantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, os alunos ainda não têm um lugar para ficar. A reitoria, que havia anunciado, na última sexta-feira, que os desalojados seriam abrigados em hotéis no Centro da cidade, ainda não tinha feito, até a noite desta segunda-feira, nenhum acordo com os estabelecimentos. Por causa disso, o prazo para que os universitários deixem a quadra de basquete da Escola de Educação Física e Desporto (EEFD), onde estão dormindo de forma improvisada, foi prorrogado. A ideia inicial era que eles deixassem ontem o local para que as atividades na UFRJ fossem retomadas.

Na manhã de segunda-feira, representantes da reitoria se reuniram com estudantes no refeitório do alojamento para fazer um levantamento das demandas dos alunos. A solidariedade de outros universitários foi mais rápida. Nos corredores não afetados pelo fogo, já era possível ver ontem centenas de doações. Colegas da UFRJ, da UERJ, da UFF, UniRio e da PUC-Rio, sensibilizados com o drama dos alunos que perderam tudo, estão recolhendo material de higiene pessoal, roupas, remédios e colchões. Quem quiser contribuir pode deixar as contribuições tanto na Cidade Universitária, quanto no campus da Praia Vermelha e do Centro.

— A situação é critica pois a condição desses estudantes, antes de morar aqui, já é de pobreza. Então não são pessoas que tenham condições de voltar pra casa dos pais em suas cidades. Temos demandas relacionadas hoje a condições básicas de sobrevivência e saúde — disse uma das alunas da moradia.

Pedido de aparelhos de nebulização

Os estudantes ainda reclamam do forte cheiro de fumaça no local e um dos principais pedidos de doação são aparelhos de nebulização e remédios para problemas respiratórios.

A estimativa da universidade é que cerca de 300 estudantes tenham sido afetados pelo incêndio. Parte deles resolveu ir para a quadra de basquete, mas muitos decidiram permanecer no alojamento, na Ala A, que não sofreu danos. Eles estão espalhados pelos corredores e halls do prédio. Alguns moradores abriram as portas de seus quartos para abrigar os desalojados.

Por meio de uma nota publicada nas redes sociais, os universitários da moradia criticaram a universidade e o governo federal. “Estamos dormindo no chão ou em barracas, sobrevivendo da ajuda mútua e através de doações. As condições de moradia já estavam debilitadas, o risco de acontecer um incêndio era algo que todos, incluindo a UFRJ, já sabiam. Há anos reivindicamos melhorias e reformas no bloco B da Residência Estudantil. Além de perdas materiais, há incontáveis danos psicológicos. Estamos assustados, traumatizados e com desconfiança em relação às atitudes vindas da reitoria”, diz a nota publicada na página Residência Estudantil UFRJ.

A UFRJ informou que um abriu um processo para a recuperação emergencial da Ala B e que, para isso, precisa de laudos preliminares do Corpo de Bombeiros. A corporação, no entanto, informou que esse parecer é de responsabilidade da Polícia Federal, já que o alojamento fica em terreno da União. A reitoria disse ainda que enviou um ofício ao Ministério da Educação pedindo recursos para o pagamento de hotéis e moradia aos estudantes atingidos.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior