P arecia uma simples comemoração de aniversário na pista de patinação do gelo do NorteShopping. Mas, na festa de um primo, a menina Camila Passos, moradora do Méier, hoje com 11 anos, descobriu um de seus talentos.Na época, aos 5, ela saiu do local com uma certeza: teria que voltar o mais breve possível. A história de amor com o patins de lâmina de aço deu frutos em forma de medalha. A mais recente foi o bronze no Campeonato Brasileiro 2018 de Patinação Artística no Gelo, há duas semanas, em Gramado, no Rio Grande do Sul. O ingresso de Camila na modalidade, no entanto, não foi imediato. A principal barreira foram os próprios pais da menina.
— Fiquei com medo de ela se quebrar toda. Eu e o meu marido achávamos que ela ia cair, que alguém passaria por cima dela, enfim, que essa atividade nos traria um certo trabalho no futuro — conta a gerente de TI Ana Paula Passos, mãe de Camila.
Só dois anos depois do aniversário do primo, quando os pedidos de Camila se mantinham incansáveis, os pais da menina resolveram ceder. Antes inscreveram-na em aulas particulares de patinação com um professor de educação física que treinava os alunos na pista de gelo do Barra Garden.
— Camila fez quatro aulas para aprender a levantar e a cair. Queríamos que ela tivesse feito mais aulas, mas como moramos no Méier, ficava longe demais levá-la à Barra. Foi quando começamos a frequentar a Norte On Ice, pista de gelo do NorteShopping — lembra Anna Paula.
Em seu aniversário de 8 anos, Camila decidiu comemorar numa pista de gelo. E no meio da celebração, uma surpresa.
— A Camila tinha assistido à apresentação de uma amiga durante uma festa, então quis fazer o mesmo. Só que numa pista de gelo. Cismou que tinha que dançar a música “Let it go”, da animação “Frozen”. Na época nós contratamos o professor André Marinho, hoje técnico dela, para montar uma coreografia para a Camila. Eles ensaiaram de maio a outubro, quando ela fez aniversário e, no mês seguinte, ele já queria levá-la para participar do campeonato sul-americano de patinação artística. Mas não deixamos, porque achamos perigoso para uma criança da idade dela — justifica Anna Paula.
E se, no começo, os pais imaginavam que teriam trabalho com a menina por causa de quedas e tombos, não faziam ideia de que a possibilidade de evolução de Camila no esporte seria a maior das preocupações.
— Eu sempre brinco com ela, dizendo que poderia ter escolhido a natação, que era só entrar na piscina, com um maiô, óculos e pronto. Patinação é um esporte caro. As melhores marcas de patins a gente só encontra lá fora, mas o pior de tudo é a falta de investimento no esporte. A pista do Barra Garden fechou esse ano. Agora, só podemos contar com a do NorteShopping, a Norte On Ice. Somos muito gratos a eles, que permitem que Camila treine em certos horários, mas, além de ser pequena, a pista tem duas colunas no meio e teto baixo. E lá Camila não tem condições de fazer um triplo nem de alcançar uma boa velocidade, por exemplo — destaca o tecnólogo de processamento de dados Wagner Passos, pai da menina.
Apesar da pista que não atende às necessidades de uma patinadora artística profissional, os treinos de Camila na Norte On Ice permitiram que a atleta chegasse tinindo nos campeonatos dos quais participou. Além do bronze que acabou de receber, ela soma mais quatro medalhas de ouro e duas de prata em sua categoria, numa carreira de pouco menos de quatro anos.
— Nas três primeiras semanas de junho deste ano, ainda fui com a Camila para os Estados Unidos, porque ela ficou em primeiro lugar numa seleção da qual participaram outros 22 atletas do mundo inteiro, mas apenas três foram contemplados — acrescenta Wagner.
Com a patinação ela sonha alto. Mas é de outra profissão que quer viver.
— Quero participar de uma Olimpíada, mas depois quero estudar Medicina.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior