A virada de mesa da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que salvou do rebaixamento a Imperatriz Leopoldinense, apesar de a escola ter ficado em penúltimo lugar no Desfile do Grupo Especial, não é o único escândalo envolvendo o carnaval deste ano. No dia 23 de maio, o ex-presidente da Acadêmicos do Sossego, escola da Série A, Wallace Palhares assumiu a presidência da Liga das Escolas de Sanba do Rio de Janeiro (Lierj), desrespeitando o estatuto da entidade. A disputa de poder no grupo de acesso já chegou à Justiça e pode ter relação com o tapetão entre as grandes da folia.
Briga judicial
Presidente da Império da Tijuca, Marcos Teles, o Tê, diz que só o Conselho Deliberativo da Lierj, comandado por ele, poderia mudar a presidência da Liga. Até então, o presidente da entidade era Renato Thor, presidente da Tuiuti. Tê foi à Justiça contestar o ato:
— Não há dúvidas de que o processo foi fraudado e é completamente irregular. Eles burlaram o estatuto para impor o nome de Wallace na presidência. A assembleia que o elegeu foi convocada para aprovar a saída do antigo presidente, a fim de alterar o estatuto e a prestação de contas. Não foi para eleger um novo presidente — afirmou Tê.
Na ação, Tê pede uma liminar para que e Wallace e seu vice, Fábio Soares Montebelo, sejam afastados do cargo. O processo está ajuizado na 37ª Vara Cível. Procurado pelo GLOBO, Wallace rebate as acusações:
— Os atos que legitimaram a posse da nossa diretoria na Lierj foram democráticos, de acordo com a vontade da maioria dos presidentes das escolas de samba, com exceção da ação isolada do senhor Antônio Marcos Teles, presidente da Império da Tijuca.
Com 13 escolas filiadas (que tiveram uma arrecadação de R$ 5,2 milhões com subvenção e venda de ingressos), a Lierj foi criada em 2012 para administrar a série A do carnaval. Nos bastidores do samba, comenta-se que o apelo de Luizinho Drummond, da Imperatriz, para cair para Série A, teria a ver com a disputa de poder no grupo de acesso.
— É o que todo mundo comenta nos barracões e quadras das escolas. Se é verdade, não posso dizer. Mas onde há fumaça, há fogo — disse um carnavalesco que preferiu não ser identificado.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior