Alegria e irreverência nos desfiles dos blocos na contagem regressiva para o carnaval

O carnaval politicamente correto pode até emplacar, e “Cabeleira do Zezé” e “Maria Sapatão”, duas marchinhas que já embalaram muita gente, parecem estar com os dias de folia contados. Mas, fora isso, a festa carioca mantém sua irreverência e alegria. Cada vez mais, saúda a diversidade. Os blocos que saíram às ruas neste fim de semana fizeram bonito. Na celebração mais plural e democrática do Rio, teve calor, purpurina (a original e a que brilha para fins culinários), bambolês, luz de led, ambulantes oficiais, vendedores alternativos, beijo gay, beijo não gay, samba, baião e marchinhas. A festa arrastou 17.500 foliões pela cidade, segundo a Riotur, numa intensa programação de blocos, bandas, ensaios e bailes.

ALEGRIA E CONTAGEM REGRESSIVA PARA O CARNAVAL

No primeiro carnaval com Marcelo Crivella à frente da prefeitura, a Orla Conde, um legado do seu antecessor, foi a aposta de blocos não oficiais, como o alternativo Sereias da Guanabara, que saiu na tarde de domingo. Em época de redes sociais, o convite para participar da festa foi dado pelo Facebook por volta do meio-dia. E deu certo. Às 17h, o cortejo partiu da Praça Quinze em direção à Praça Marechal Âncora, arrastando cerca de 300 pessoas.

— Esta clandestinidade é interessante, não atrai gente para furtar ou brigar. Estamos seguros e em pouca quantidade, sem o tumulto dos grandes blocos — disse Igor Moraes, um dos participantes.

A cena era inusitada. À beira da Baía, homens barbudos exibiam sua porção sereia. A cauda à Ariel não atrapalhou o remelexo: eles conseguiram dançar axé, samba, música popular e brega.

— Não desfilamos, mergulhamos — disse um dos fundadores do bloco, vestido de piranha.

Mais cedo, no Humaitá, o bloco Só Caminha, apesar do nome provocador, era bem família. Grupo de ritmistas com a camisa oficial da agremiação disputavam espaço com a turma mais jovem: crianças que, fantasiadas, divertiam-se na gangorra, em um parquinho próximo da concentração. O repertório era recheado de sambas-enredo de antigos carnavais. Foram quatro horas de desfile, no entorno do Largo dos Leões.

No sábado, foi a vez da Banda de Ipanema ganhar as ruas, num ensaio para o seu 53º desfile, que acontece na próxima semana. Irreverência, como de praxe, não faltou. Um vendedor fazia sucesso com um arsenal de canudos. Todos em formato de pênis.

— Todo mundo tá de olho nele — divertia-se Marcos Freitas, marceneiro de profissão, mas que resolveu ganhar um extra com a novidade caliente.

O fim de semana terminou com a gigante Orquestra Voadora, que fez um ensaio do cortejo que sairá na terça de carnaval. A banda de fanfarra conquistou corações com misturas de rock, jazz, pop e funk com os clássicos samba, maracatu e frevo.

A novidade ficou por conta da gastronomia: nenhum folião passava fome. Havia desde sanduíche de carne assada até frutas no palito, que, vendidas a R$ 5, prometem ser uma sensação na festa de Momo.

— A gente trabalha com comida e gosta de carnaval, chegou a hora de juntar as duas paixões e se divertir com o prazer do folião — afirmou Luiza Machado, uma das vendedoras.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto:Márcio Alves / Agência O Globo