Adotado, antigo Jardim Zoológico será revitalizado e terá formação de agentes comunitários

Abandonado, sujo, vítima da falta de conservação e do descaso, o antigo Jardim Zoológico de Vila Isabel acaba de completar 130 anos de fundação. Mas, se por um lado não há motivos para comemorar a data, dado o estado em que o jardim se encontra, por outro o local, que desde a década de 1950 passou a se chamar Parque Recanto do Trovador, foi adotado por uma empresa privada, o Ieva (Instituto Eventos Ambientais) que reserva boas notícias ao espaço. A empresa pretende, com a ajuda de parcerias, urbanizar, revitalizar e resgatar a história do parque, além de formar guias e agentes ambientais que sejam moradores da localidade.

Idealizado por João Baptista Vianna Drummond, o Barão de Drummond, o antigo jardim zoológico é de grande relevância para a história da cidade. A ideia do apadrinhamento partiu de Francisco Carrera, assessor jurídico do instituto e professor de direito ambiental da Coppe/UFRJ, morador do Grajaú, um apaixonado pela história do Recanto do Trovador.

— Eu pesquisei a história e me apaixonei por uma pessoa chamada Barão de Drummond, um homem à frente do seu tempo, empresário e abolicionista, também idealizador do bairro de Vila Isabel. O Recanto do Trovador tem potencial histórico e cultural enorme e não pode ser esquecido. Foi primeiro zoológico da América Latina, onde surgiu o que hoje conhecemos com o Jogo do Bicho. Ainda encontram-se muitos rastros do zoo daquele tempo, tais como o lago, diversas árvores plantadas pelo barão, as bases das antigas jaulas e o bebedouro do elefante — diz Carrera.

Em contrapartida, as empresas que se unirem ao Ieva investindo financeiramente com a adoção de diferentes espaços no parque receberão uma assessoria na área de Responsabilidade Socioambiental e uma consultoria jurídica especializada nas áreas de direito ambiental e urbanístico.

— Acreditamos que esta iniciativa desonera os cofres públicos e promove um incentivo à gestão compartilhada das áreas públicas da cidade — afirma Alexandre Gontijo, presidente do Ieva.

Entre as medidas do Ieva estão a sinalização do lago artificial, o tratamento de sua água e os cuidados com as plantas aquáticas e a alimentação dos peixes; a instalação de placas informativas sobre cada espécime do parque (a maioria plantada na época do Barão de Drummond); a manutenção, pelos adotantes, dos cuidados com essas espécies; a criação de um “parcão”, área específica para cães, e de uma área para os escoteiros; a conservação do bebedouro do elefante, do recanto japonês, da área das crianças, do campo de futebol, e das antigas jaulas (que reproduziriam os animais que originalmente as ocupavam com projeção de luzes).

Desde que assumiu o parque, o Ieva recuperou o recanto japonês, instalado na década de 1960, e os gradis originais do Campo de Santana e devolveu marrecos e peixes nativos ao lago.

— Achamos uma lanterna japonesa perdida no meio da vegetação, doada pelo imperador japonês Hirohito, e pedras com inscrições em japonês. Entramos em contato com o consulado para pedir ajuda na revitalização do espaço — diz.

O instituto pretende formar agentes ambientais comunitários, em cursos com aulas teóricas, práticas e visitações orientadas. As inscrições estão abertas e as aulas começam em março.

— Eles vão aprender a identificar pássaros, árvores e o patrimônio histórico. Além disso, haverá cursos de jardinagem e reciclagem. Queremos transformar o parque em uma área não apenas de lazer, mas mostrar a sua importância socioambiental. Os alunos serão certificados como Agentes Ambientais Comunitários e poderão desempenhar atividades educativas. O agente é uma liderança preparada para auxiliar na gestão do ambiente local, tornando-se um canal que busca atender as demandas da região de acordo com as necessidades levantadas pelo Ieva, pelos parceiros e os próprios moradores da região — acrescenta Gontijo.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior