Abel Silva será homenageado em edição da Ocupação Poética

Mesmo consagrado, Abel Silva nunca para de produzir. Junto com Roberto Menescal, ele prepara o disco “O encontro de Roberto Menescal e Abel Silva em músicas inéditas”, pela Biscoito Fino. São 12 faixas com melodia de um, letra do outro. O repertório varia entre gêneros diversos como samba e bolero. Poeta e letrista da música popular brasileira, Silva também escreveu e musicou sozinho “Vadio coração” há apenas 15 dias. Vai apresentar a canção pela primeira vez nesta segunda-feira durante a 9ª edição da Ocupação Poética, em que será homenageado. O evento será no teatro do Centro Cultural Cândido Mendes, em Ipanema, às 20h (R$ 20).

De fala doce e coração aberto, Abel conta que ficou contente quando recebeu o convite para participar do evento, organizado pelo poeta Paulo Sabino. Para ele, é um forma de reunir seu trabalho na música e na poesia, já que, além de clássicos como “Festa do interior” e “Jura secreta”, publicou livros como “O gosto dos dias” e, em 1975, a revista literária que seguia o tropicalismo “Anima”, com o músico e poeta Capinan.

— Eu me senti muito bem com o covite. Trata-se de uma ocupação amorosa, carinhosa e respeitosa que tem a ver com o meu trabalho na poesia e na música. Atuo nas duas vertentes, com a sorte de ter sido gravado por todas as grandes vozes de várias gerações. Isso me deixa muito feliz, pois a canção precisa de um intérprete e eu sou apenas uma rapaz latino americano que faz poesia — conta ele, parafraseando Belchior, morto há cerca de dez dias.

Com o violinista e seu filho André Trindade Silva, Abel vai apresentar “Jura secreta”, “Asas” e “Vadio coração”. Convidados especiais (Antonio Cícero, Christovam de Chevalier, Elisa Lucinda e Tessy Callado) vão ler parte de sua obra. Gerando Azevedo receberá na hora H uma letra que Abel lhe devia. Completamente inédita até mesmo para o cantor. Generoso, Silva revelou um pouco sobre primeira estrofe à repórter:

— Estava com uma letra para o Geraldo, que ele vai receber na hora. A primeira estrofe fala do cheiro do papel que envolve o pão. Uma das músicas brasileiras mais importantes “Águas de março”, foi escrita em papel de pão.

À frente da ocupação, Paulo Sabino afirma que flertava com a ida de Abel ao evento desde 2016. Em sua opinião, o poeta encontra-se na categoria de grandes nomes como Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Dorival Caymmi.

— Sou um grande admirador da obra de Abel. É um poeta fácil de entender. Tem uma comunicação direta com o leitor, mas extremamente sofisticada, com metáforas, rimas, jogos de palavras. Um barato — resume sabino.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação