Cresce o número de hortas comunitárias em praças e canteiros

Durante a greve de caminhoneiros, que deixou, no mês passado, supermercados, feiras e sacolões desabastecidos, teve gente que continuou tendo a mesa farta de frutas, legumes e temperos. Na casa da aposentada Sônia Miranda, por exemplo, não faltaram saladas nas refeições, preparadas com alimentos cultivados por ela na Horta Comunitária do Cosme Velho. A plantação urbana e orgânica, que há cinco anos cobre um terreno de 270 metros quadrados próximo ao trenzinho do Corcovado, faz parte de um movimento que cresce: de acordo com a prefeitura, hoje são mais de 120 em canteiros, praças e terrenos abandonados. Desse total, 35 fazem parte do programa Hortas Cariocas, da Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente.

A Horta Comunitária do Cosme Velho é umas das que têm apoio municipal. Sônia e seu auxiliar recebem uma bolsa da prefeitura para cuidarem da terra, além de ajuda para a compra de insumos e consultas técnicas. Restaurantes e moradores também colaboram, doando mudas e sementes.

— Temos hortelã, manjericão, salsa, cebolinha, pepino. Tudo que produzimos é doado. As pessoas chegam e pedem. Muitos turistas vêm aqui nos visitar, para ver o que estamos colhendo. Temos de verdura a plantas medicinais. Para mim, isso aqui é uma “terrapia” — brinca Sônia, que acaba cuidando também de gambás e macacos-pregos que sempre aparecem por lá.

Para o engenheiro agrônomo Julio César Barros, coordenador do Hortas Cariocas, um dos principais objetivos do programa é aproximar a população da agricultura. Mas, durante os dias de desabastecimento, essas plantações “salvaram” muitas refeições.

— A horta do Morro do São Carlos, no Estácio, parecia um hortifrúti. Tinha até fila — diz Julio, explicando que, nas plantações comunitárias, cada um pega o que precisa e paga um valor simbólico.

O projeto municipal, criado há 12 anos, também funciona em escolas e creches, que ficam com parte da produção. Ao todo, as hortas rendem 40 toneladas de alimentos por ano, que beneficiam 20 mil pessoas. Atualmente, 300 bairros aguardam novas unidades. Até o fim do ano, oito devem sair do papel.

Na Zona Portuária, a Horta do Amanhã, junto ao museu, há duas semanas abasteceu moradores e comerciantes do entorno. A próxima colheita será no segundo semestre, de acordo com Tomás Mendonça, cofundador da Carpe, responsável pelo projeto.

Integrante do Organicidade, coletivo autônomo para o cultivo urbano, Daniel Gabrielle diz que a greve dos caminhoneiros fez muita gente perceber a importância do aproveitamento de espaços urbanos:

— Nosso sonho é transformar o Rio num símbolo dessa cultura.

Na Barra, a horta da Cidade das Artes já investe nessas ações.

— Trabalhamos com agroecologia urbana. A ideia é ter um laboratório para educação ambiental — afirma Fábio Mehlen, coordenador da horta.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo