Foi por causa de Lina Bo Bardi que o casal de designers Fernanda e Leonardo Mangiavacchi, sócios do Fantástico Studio, na Barra, decidiu batizar de Lina sua primeira filha, hoje com 6 anos. A segunda homenagem a uma das mais expressivas arquitetas ítalo-brasileiras viria quatro anos depois. A pedido da Elon, loja de móveis de Petrópolis que decidiu investir em produtos com design, os dois criaram, em 2016, a poltrona Lina. O único desejo da empresa era que o assento fosse confortável e duradouro. No mês passado, dois anos após o lançamento, a Lina ficou em primeiro lugar na categoria Profissional no Salão Design Movelsul, o maior prêmio de design da América Latina, realizado em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. No Rio, o produto está à venda na loja Arquivo Contemporâneo, por a partir de R$ 9 mil.
O casal conta que o processo de criação durou cerca de nove meses, e que a inspiração veio da Bauhaus, escola alemã vanguardista que revolucionou o design em todo o mundo. Entre as décadas de 1930 e 1940, surgiram as primeiras cadeiras de estrutura tubular de metal, mais leves e com aparência mais suave, diferentes das poltronas com estofado pesado que eram criadas até então. A nova estética, entretanto, não foi sinônimo de conforto. Fernanda e Mangiavacchi decidiram reinterpretar estas cadeiras de estrutura tubular, mas de forma mais brasileira e garantindo que fossem confortáveis. Para isso, conceberam a estrutura em madeira e usaram plumas no assento e no encosto. Os revestimentos ganharam versões diferentes, em materiais como couro, lona automotiva e linho.
— Quando começamos a criar, tínhamos em mente que a cadeira precisava ser confortável e robusta, para uma pessoa mais pesada poder se jogar — explica Mangiavacchi. — Como as conexões entre as partes são mais frágeis, a exemplo da ligação entre o apoia-braço e a estrutura, resolvemos mantê-las em metal, inspirados na Bauhaus. Todas as outras partes que não têm conexões ficaram em madeira, material bem brasileiro, quente e que envelhece bem. É um produto feito para durar, mas, se depois de muitos anos alguma parte quebrar, é possível fazer a troca só dela.
O júri do Salão Design Movelsul, criado há 30 anos para premiar artigos que unem funcionalidade e estética, elogiou a fusão dos materiais, ressaltando, em seu parecer, que eles apresentam perceptível qualidade mesmo nas partes não visíveis, e que o uso desses elementos conferiu “conforto e aconchego” à poltrona. Não foi o primeiro reconhecimento do produto. No ano passado, a Lina fez parte da mostra Rio+Design Milão, e, em 2016, foi um dos seis destaques escolhidos pela revista “Casa Vogue” na ArtRio. Os próximos planos são lançar uma versão da poltrona por ano e criar um produto em homenagem ao caçula do casal. Quem sabe o sofá Milo não chega em breve?
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior