Os moradores de Santa Rosa já repararam que há mais cor pelas ruas do bairros. É que postes estão ganhando pinturas de flores e alguns até uma pequena biblioteca suspensa. A responsável por essas obras de arte é a artista plástica Mirra Antonioli que, com ajuda de voluntários, sai no meio da noite para colorir os postes e, até o momento, já transformou 80 deles e instalou oito mini bibliotecas suspensas por pontos de Santa Rosa.
A ideia surgiu durante uma viagem de Mirra à Tailândia, em 2004, para ajudar voluntariamente vítimas de um tsunami na reconstrução de suas casas. Lá a artista plástica conheceu o trabalho da ONG Museu da Esperança, que pintava espécies da flora e da fauna em ruínas para estimular a preservação e trazer cor a locais de destruição. Voltando ao Brasil, trouxe a iniciativa em seus planos e chamou de Museu de Rua.
Búzios e cidades do Rio Grande do Norte e da Bahia também receberam as tintas do Museu de Rua, até mesmo Niterói já tinha sido beneficiada com esse trabalho. Em 2006 Mirra conta que chegou a pintar 150 postes pela Região Oceânica, mas que todos foram cobertos de tinta branca anos depois. Sem deixar o sonho de lado — que ela garante: quase desistiu ao ver suas obras apagadas — resolveu iniciar novamente esse projeto na cidade onde mora.
— Eu achei que poderia acrescentar muito trazendo cor para locais que eram cinzas. Acredito na transformação por meio da arte. Quando você transforma um ambiente que está sujo e abandonado, você está dando uma nova esperança para quem convive com esse espaço. As pessoas ficam gratas ao perceber que há alguém cuidando daquele lugar e isso pode transformar cidades, despertar o bem por meio da gratidão — aponta.
Em Santa Rosa, Mirra já pintou postes das ruas Martins Torres, Santa Rosa e está fazendo planos para o Largo do Marrom. Até o momento, alguns pontos ganharam pinturas de rosas e outros de orquídeas. O objetivo é que cada rua tenha a sua flor.
Outro pilar que Mirra acredita ser uma ferramenta de transformação positiva é a educação, por isso ela também instala mini bibliotecas com caixotes de madeira cobertos por plástico vermelho em alguns pontos. A maioria dos livros vieram do acervo que estava na casa onde hoje é a sede da ONG fundada por Mirra, chamada Visão Verde (Rua Martins Torres 145) que conta com o trabalho de 50 voluntários e oferece aulas de música e de artes marciais.
— Vejo as pessoas colocando alguns livros nos caixotes que estão vazios, sei que tem quem não cuide, mas não podemos deixar de fazer o que achamos certo por causa das atitudes dos outros. Isso estimula a conscientização que se cria para cuidar do que é público.
Quem se inspirar e desejar fazer o mesmo em seu bairro, pode entrar em contato com a artista pela sua página no Facebook.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior