Oito anos após tragédia no Morro do Bumba, perigo continua em Niterói

As 46 mortes do Morro do Bumba, tragédia que completa oito anos amanhã, não serviram de lição a Niterói: a cidade continua a conviver com moradores em situação de risco. É o caso, por exemplo, dos vizinhos Flávio Nogueira, de 44 anos, e Marcelo Rosa, de 32 anos, que vivem no alto do Morro da Chácara, no Centro, em casas que estão interditadas desde janeiro pela Defesa Civil. Marcelo sabe que o problema é sério e precisa de uma solução definitiva:

— Um paliativo não adianta. O problema é o solo, que está oco.

O laudo da Defesa Civil é categórico ao afirmar que o terreno não pode ser usado: “A área não é recomendada para moradia, salvo se adotadas medidas com finalidade de contenção/estabilização de encosta”.

Niterói não tem um levantamento atualizado sobre a população em áreas de risco. Em 2015, a prefeitura contratou uma empresa para fazer o mapeamento, que deveria ter sido concluído em fevereiro do ano passado, mas até hoje não ficou pronto. O trabalho foi interrompido quatro vezes.

O gabinete do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL)chegou a levar a questão ao Ministério Público. A prefeitura apenas informa que o projeto está em fase de conclusão.

Especialista em recursos hídricos e professor do Departamento de Engenharia Civil da UFF, Elson Nascimento diz que ainda não viu, desde a tragédia do Bumba, investimento significativo em prevenção.

Oito anos após tragédia no Morro do Bumba, perigo continua em Niterói – Marcelo Theobald / Agência O Globo
— A cidade construiu o túnel do Cafubá, por exemplo, e não fez nada deste tamanho para prevenir deslizamentos. Apenas medidas emergenciais, como instalação de sirenes e pluviômetros, que são importantes, mas não são as únicas — disse Nascimento.

O presidente da Associação de Vítimas do Morro do Bumba, Francisco de Souza, afirmou que somente 1.500 famílias receberam casa para morar, das 3.200 que estavam na lista depois da tragédia. O restante dos moradores recebe aluguel social, de R$ 400. Famílias alegam que, com esse dinheiro, não conseguem pagar uma casa que não seja em área de risco.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior