Riotur anuncia que megablocos vão desfilar no Centro do Rio em 2019

O assessor jurídico da Riotur, Christian Teixeira, anunciou nesta terça-feira, durante uma audiência na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que os megablocos de carnaval vão desfilar apenas no Centro do Rio em 2019. No mês passado, durante a primeira reunião de planejamento do carnaval do ano que vem, o presidente da entidade afirmou que os grande grupos estavam proibidos de desfilar pela orla da Zona Sul e no Aterro do Flamengo.

Durante a audiência desta terça-feira, Teixeira afirmou que a decisão para a mudança foi após o desfile do bloco da Favorita, em Copacabana, no sábado de carnaval. Na ocasião, quase 700 mil pessoas foram ao desfile, o triplo do previsto pela Riotur.

– A gente viu um transtorno enorme no bairro durante o Carnaval passado. O evento ainda poderá acontecer, mas em um local melhor – destacou Teixeira.

Representantes da Polícia Militar e da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio), criticaram a discrepância entre o público presente nos blocos e a previsão da Riotur. Christian Teixeira afirmou que este ano a inscrição dos blocos acontecerá mais cedo, através da internet, e os organizadores terão mais tempo para enviar as informações solicitadas. A previsão de público, no entanto, terá como base o número de foliões presentes na edição do ano anterior.

Em nota, a Riotur não quis dar mais detalhes, e se limitou a dizer, em nota, que ‘as mudanças necessárias serão feitas’:

“As mudanças necessárias serão feitas. Reuniões periódicas estão em andamento com associação de moradores dos bairros, também com representantes dos mega blocos, bem como órgãos públicos e privados envolvidos no processo. A Arena Carnaval Rio, no Parque dos Atletas e outras questões referentes ao Carnaval Rio 2019, como a concentração dos megablocos no Centro, serão divulgadas pela Riotur no momento oportuno, já que várias reuniões de planejamento seguirão acontecendo ao longo dos próximos meses. Na próxima quinta-feira vamos realizar mais uma reunião para discutir o Projeto Carnaval Rio 2019”, diz a nota.

AÇÕES DA SEGURANÇA PARA 2019

Durante a audência na Alerj o deputado Carlos Osorio (PSDB) disse que solicitará, em conjunto com a Comissão de Segurança Pública da Casa, uma reunião com o interventor federal, general Walter Braga Neto, para discutir as ações no Carnaval de 2019.

– Nós sabemos que a grande causa do problema é a desarticulação e a falta de investimento.Mesmo a intervenção indo até o final do ano, todo o planejamento será feito até lá – finalizou.

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES COMEMORA DECISÃO

Os transtornos provocados pela passagem de megablocos em bairros residenciais acirra uma briga entre organizadores e moradores. Em Copacabana, por exemplo, a produtora Carol Sampaio bateu o pé e conseguiu colocar o Bloco da Favorita na Avenida Atlântica, à revelia da Sociedade Amigos de Copacabana, que chegou a entrar com uma representação no Ministério Público Federal para impedir o desfile. Não adiantou, e o público deste carnaval superou o do ano passado, quando a estimativa foi de 500 mil pessoas.

O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães, comemorou a decisão da Riotur de transferir os grandes blocos para o Centro. Os moradores do bairro já haviam conseguido uma vitória neste carnaval, quando a prefeitura decidiu levar o bloco Chora Me Liga para o Aterro do Flamengo.

— Nós chegamos a manifestar nossa oposição ao desfile da Favorita em Copacabana, mas a Riotur insistiu com a autorização e deu no que deu: foi um caos. Graças a Deus a prefeitura reviu essa decisão e garantiu que, em 2019, o bloco não desfila mais no bairro.

Na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, os moradores também reagiram aos tumultos provocados pelos megablocos. Em 2017, a presença dos grupos Carrossel de Emoções e Giro do Arar & Bloco da Gold foi marcada por confusões, tanto é que este ano as apresentações foram transferidas para o Recreio e o Centro.

A presidente da Sebastiana (Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião), Rita Fernandes, concorda com a decisão da prefeitura de transferir os grandes blocos para o Centro, desde que eles não tenham uma relação de tradição com a história do bairro, como é o caso da Banda de Ipanema.

— Por questão de logística e de segurança, os blocos comerciais, com a presença de artistas e que tendem a juntar uma multidão, devem ser realizados em espaços maiores, como já acontece com os blocos da Annita e da Preta, que desfilam no Centro. Até o trabalho da polícia fica mais eficiente. Um megabloco não pode simplesmente desfilar onde quer só porque pagou taxas para a prefeitura. Tem que calcular onde o impacto é menor — disse.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior