Nascido em São Gonçalo e criado próximo à quadra da Unidos do Porto da Pedra, Izak Dahora conheceu cedo a paixão pelo carnaval. Com vários desfiles na Marquês de Sapucaí em sua trajetória, o ator, conhecido nacionalmente por ter vivido o Saci Pererê na segunda versão do “Sítio do pica-pau amarelo”, lançará um livro sobre a teatralização dos desfiles de escolas de samba. A obra ganhará um capítulo sobre a experiência que Izak terá daqui a uma semana, ao desfilar pela primeira vez como destaque no carnaval do Rio. O ator sairá pela Acadêmicos do Cubango, interpretando o artista plástico Arthur Bispo do Rosário, o grande homenageado da agremiação.
O enredo “O rei que bordou o mundo”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, levará Izak a se apresentará no carro 2, que representa a primeira manifestação de delírio de Bispo diante do Mosteiro de São Bento, no Rio, em 1932. Mais tarde, Bispo foi diagnosticado com esquizofrenia paranoide.
— Esse convite me deixa muito honrado porque Bispo sintetiza a trajetória de pessoas historicamente marginalizadas pela nossa sociedade: negro, nordestino, pobre, “louco”… E, mesmo confinado de forma absolutamente questionável e desumana, produziu uma obra vasta, potente e de vanguarda, reinventando materiais cotidianos — diz Dahora.
O ator conta que a preparação para o desfile vai além da parte física. Desde que recebeu o convite, no segundo semestre do ano passado, Izak mergulhou na vida e obra de seu personagem:
— Li textos, livros, visitei barracão, ensaio de rua em Niterói e estive no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, em Jacarepaguá. Fiquei muito comovido com o acervo vivo das obras do Bispo e com os lugares que ele habitou na Colônia Juliano Moreira.
O livro, que estava pronto e agora aguarda a inclusão desse novo capítulo na relação de Dahora com o carnaval, é o resultado de uma pesquisa de oito anos:
— A obra discorre sobre as diferentes manifestações de arte que compõe um desfile: a dança, música, instalação, performance. E, agora, a experiência como destaque personificando Bispo — explica Dahora, autor também de “Histórias de sacis”.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fábio Guimarães / Fábio Guimarães