Projeto de lei quer transformar o choro da Praça São Salvador em patrimônio cultural imaterial

No início era apenas uma reunião de sete amigos apaixonados por música que resolveram criar um grupo de estudos de chorinho ao ar livre. Onze anos se passaram e o “Arruma o coreto” se transformou numa das mais movimentadas rodas de choro da cidade. Ela chega a arrastar até 300 pessoas a cada domingo à Praça São Salvador, em Laranjeiras. Tamanha importância fez com que a roda de choro virasse objeto de um projeto de lei para ser transformada em patrimônio cultural imaterial do estado. Para Ana Cláudia Caetano, flautista e idealizadora do “Arruma o coreto”, a notícia é recebida com alegria.

— Agradeço pela lembrança e consideração. Nunca imaginei que esses encontros fossem se transformar em tudo isso. A maioria de nós é músico amador, e o que nos une é gostar de choro e de tocar — conta a flautista.

A expectativa é que o projeto de lei seja votado ainda no primeiro semestre. Para o autor, o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT), transformar a roda de choro num patrimônio cultural imaterial é uma forma de não perder as referências culturais da cidade.

— É importante apoiar iniciativas que coloquem em evidência estilos musicais tradicionais como o chorinho, que é uma marca da cidade. É o reconhecimento desse patrimônio — diz Carneiro.

A roda de choro “Arruma o coreto” é aberta. Ou seja, basta pegar violão, flauta, cavaquinho ou pandeiro e se juntar ao grupo. Com essa filosofia, já chegaram a se unir mais de 30 músicos em uma única apresentação. A única nota dissonante, e que a flautista faz questão de ressaltar, é a desordem que, segundo ela, se formou no entorno da roda. Uma das reclamações é a realização da feira que, a cada domingo, reúne cerca de 80 barracas no local.

— A praça não tem estrutura para suportar tamanha quantidade de gente. As barracas fecham as passagens e tiram o espaço das crianças. Dia desses tinha uma instalada numa rampa de acesso para deficientes — comenta Ana.

A Praça São Salvador tem estado no centro de uma série de reclamações dos moradores relacionadas a barulho e sujeira, entre outros problemas. Em abril do ano passado, a prefeitura iniciou um choque de ordem, conforme reportagem publicada no GLOBO-Zona Sul. Em meio a esses problemas, Ana conta que pensou em desistir da roda de choro. Apontado como um dos responsáveis pela feira, o fotógrafo Rubber Siqueira, conhecido como Rubinho, diz que já entregou à prefeitura um projeto para regulamentar a atividade.

— O objetivo é que ela seja regulamentada, assim como as feiras do Lavradio e da General Osório — diz Rubinho.

Segundo a Secretaria municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação (SMDEI), há um estudo de viabilidade técnica em andamento. De acordo com Eduardo Cataldo, coordenador das feiras da prefeitura, ainda não existe uma definição e o estudo pode ou não ser aprovado. Enquanto isso, a prefeitura afirma que a feira não tem autorização para funcionar.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior