O surfista e médico carioca Guido Schäffer pode virar santo em cinco anos. A Arquidiocese do Rio vai entregar na quarta-feira, no Vaticano, o pedido de beatificação do seminarista, que morreu aos 34 anos, em 2009, num acidente enquanto surfava.Guido Schäffer é conhecido por seu trabalho com desabrigados, e morreu antes de se tornar padre.
O responsável por entregar o pedido de beatificação no Vaticano – duas mil páginas distribuídas em cinco pacotes — será o advogado Paolo Vilota, que é credenciado na Santa Sé, na congregação para a causa dos santos. O material, reunido durante dois anos e meio, foi selado pelo cardeal Dom Orani Tempesta após uma missa realizada no último domingo na igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, onde estão enterrados os restos mortais do seminarista.
— A arquidiocese do Rio agora vai submeter as graças atribuídas a ele a uma equipe técnica de médicos para que elas sejam analisadas cientificamente com muita prudência. Em paralelo a isso, o Vaticano vai analisar as virtudes heróicas dele. Em 2 anos, Guido poderá ser considerado venerável, e, em seguida, poderemos depositar o milagre que o credenciaria a ser beatificado — explica Dom Roberto Lopes, delegado arquiepiscopal da arquidiocese do Rio de Janeiro para a causa dos santos: — Após a beatificação, poderemos postular a canonização.
Nazareth Schaffer, mãe de Guido – Fabiano Rocha / Agência O Globo
Apesar da dor da perda, a mãe de Guido, Nazareth Schäffer, de 68 anos, se diz feliz com a perspectiva de seu filho tornar-se santo:
— E ver reconhecidas as virtudes dele, a dedicação da vida dele a Deus e ao próximo. Só depois da morte dele tivemos a dimensão de quantas pessoas foram ajudadas. Gente que me disse “seu filho salvou a minha vida, tirou meu filho das drogas”. Serve de conforto saber que ele passou por aqui fazendo o bem.
Uma das pessoas que se sentem agraciadas pelo médico, que morreu pouco antes de ser ordenado padre é a aposentada Eliana Amorim, que, em 2014, rezou dia e noite para Guido pedindo a cura do filho Bernardo Amorim, de 48 anos, vítima da síndrome de Guillain-Barré.
Padre Jorjão, da Paróquia Nossa Senhora da Paz, que conheceu Guido em 1992 e acompanhou sua trajetória até a sua morte, resume:
— Ele não subiu ao altar como padre. Mas vai subir como santo.
Segundo Nazareth, os objetos pessoais do jovem serão reunidos em um memorial, que deverá ser aberto na Santa Casa de Misericórdia, onde Guido fez residência em clínica médica, em março do ano que vem. Entre livros, santos e roupas, chama a atenção a batina com que o seminarista foi sepultado. A exumação do corpo foi feita quase sete anos depois de sua morte e as vestes ficaram bem preservadas. A batina foi lavada e cuidadosamente colocada em um quadro de acrílico.
Fiel escudeira das relíquias, Nazareth cuida de cada detalhe com afeto e dedicação, e comenta bem-humorada sobre a iminente responsabilidade de ser mãe de um santo.
— A gente tem que se comportar. Se fico brava, tenho que lembrar que não posso — diverte-se ela, que completa:
— Para mim é uma grande alegria ver suas virtudes reconhecidas. É um consolo para o coração e uma alegria saber que servirá de exemplo para muitos outros jovens.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Reprodução