Com duas exposições, Museu da República tenta driblar a crise

A crise econômica tem feito as verbas para a cultura caírem drasticamente em diversos setores. No Museu da República, no Catete — onde há uma galeria de arte — não é diferente. Para driblar a falta de recursos, a curadora do espaço, Isabel Sanson Portella, vem apostando em atrações que aproveitam o acervo da instituição e desenvolvendo pesquisas dentro da reserva técnica.

— A crise afetou o Museu da República de várias maneiras. O Ministério da Cultura ainda não repassou o dinheiro para as autarquias e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) não transferiu a verba de 2017 — diz Isabel, que coordena também a Galeria do Lago.

Atualmente, o museu tem duas exposições em cartaz e que podem ser visitadas até o dia 29 de outubro: “,Mesmo” (o título da mostra começa mesmo com uma vírgula), de Jozias Benedicto, e “Pinturas”, de João Magalhães.

A primeira foi desenvolvida como uma performance para o coreto, encenada no dia 26 de agosto e filmada. A atriz Dalila Duarte encarnou o papel de uma noiva, fazendo sua marcha pela aleia que vai até o chafariz, no caminho principal. Quem perdeu a encenação ao vivo, pode assistir as imagens, que são exibidas no espaço.

— Na maioria dos ritos de passagem, a água tem papel relevante. No casamento, a presença dela pode ser entendida como purificação, lavagem e preparo para um novo momento da vida — explica Benedicto, que expõe pela terceira vez no Museu da República.

O artista teve participação ativa na performance. Enquanto a noiva interagiu silenciosamente com os expectadores a caminho do chafariz, o véu de 30 metros que ela usava passava por uma máquina de escrever onde Benedicto datilografava os seus textos.

— Quando o véu já estava quase todo escrito, a noiva era finalmente libertada pelo “fim” — explica ele.

Já Magalhães, professor veterano da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), apresenta exposição individual após um hiato de sete anos. Na mostra, ele aposta nas cores preto, branco e cinza em composições mínimas que dialogam sempre com o vazio e os limites do suporte:

— Os trabalhos são todos de pintura. Eles mesclam traços feitos por mim com elementos prontos, como etiquetas de papelaria — diz.

SERVIÇO

Museu da República — Rua do Catete 153. Tel.: 2127-0324. De terça a sexta, das 10h ao meio-dia, e das 13h às 17h; sábado e domingo, das 13h às 18h. Grátis. Até 29 de outubro.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação/Jaime Acioli / Jaime Acioli