O Rio é uma grife que deve ser bem aproveitada por todos que vivem no estado. É o que dizem empresários de vários setores da indústria fluminense, garantindo que a marca Rio aumenta a visibilidade de seus produtos. A gerente de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), Carolina Lucena, confirma que o setor de joias é um dos que exploram bem o estilo carioca.
— Acredito que, se o grande consumidor é o turista, a associação do nosso produto com o Rio é uma questão de inteligência — afirma Carolina.
Empregando 17 mil pessoas em todo o estado, o setor exportou US$ 12 milhões em joias entre janeiro e agosto deste ano, principalmente com a venda para turistas. Para a diretora da Associação de Joalheiros e Relojoeiros do Estado do Rio de Janeiro (Ajorio), Carla Pinheiro, o estilo despojado e sensual do carioca foge do que se vê nas peças produzidas em outros estados.
— Nosso design já é reconhecido internacionalmente — conta a diretora da entidade, que representa três mil empresas. — Não podemos esquecer que é preciso profissionalismo, e é por isso que temos trabalhado muito com o projeto “É do Rio”, uma parceria com o Sebrae-RJ que ensina como empreender no nosso setor.
Roberta do Rio, designer de joias que leva a cidade no sobrenome e acaba de abrir uma loja em Ipanema, concorda que o Rio tem seu próprio apelo.
— O produto carioca toca as pessoas, e temos que valorizar mais isso — diz. — O carioca tem um borogodó muito próprio.
Outro setor que também vem explorando a marca Rio é o de bebidas artesanais. A cachaça é um bom exemplo. De 19 rótulos premiados no início deste mês no Spirits Selection, concurso internacional que julgou a qualidade de 1.200 destilados de todo o mundo, quatro são produzidos no Rio. Um deles é a Cachaça da Quinta, feita no município de Carmo, na Região Serrana, e administrada por Katia Alves Espírito Santo, presidente da Associação dos Produtores de Cachaça do Estado do Rio de Janeiro (Apacerj). A entidade está negociando o produto sob a chancela “Cachaças do Rio”, que conta com programa de qualificação do Sebrae-RJ.
— Rio e cachaça fazem um casamento perfeito. É um produto brasileiro que está se comunicando globalmente.
Katia concorda que é necessário investir muito na qualidade do destilado. Ela só lamenta os impostos altos. Enquanto Minas Gerais, por exemplo, cobra 3% de ICMS sobre o produto, no Estado do Rio essa taxa chega a 19%, dificultando a concorrência:
— Mas a nossa qualidade tem melhorado ano a ano. Não é à toa que já somos o segundo maior exportador de cachaça do Brasil, atrás apenas de São Paulo.
RELEVO DA CIDADE NO RÓTULO
O mercado de cervejas artesanais também está associando a imagem do Rio às suas marcas. E tem dado certo. A cervejaria Praya, por exemplo, chegou à produção de 40 mil litros por mês em um ano e nove meses de atividade. Já são mil pontos de venda no Rio e mais 400 em São Paulo.
— A associação da cerveja com o Rio é sempre positiva — garante Paulo de Castro, diretor da Praya. — Procuramos não levantar a bandeira de que somos os melhores do mundo, mas somos o Rio. Por isso temos esse estilo. Não pensamos em sair daqui, mas em transformá-lo num lugar melhor.
Segundo Castro, o sucesso da imagem carioca da cerveja foi tão grande que estimulou sua entrada no setor de moda, lançando roupas e acessórios no mesmo estilo dos rótulos das garrafas:
— O Rio é nosso portão de entrada. Todo mundo tem uma referência afetiva do Rio, inclusive outras cidades do país.
Ainda novata, a cerveja Yela também está aproveitando o relevo do Rio nas suas garrafas e já percebeu que surtiu efeito.
— A gente sabe que, por maior que seja a crise, o Rio é a cidade queridinha do país — destaca Vicente Quinderé Falcão, um dos criadores da Yela.
GANHO DE ATÉ 30% COM PROCEDÊNCIA
O consumidor valoriza produtos associados à sua procedência. Os ganhos com a Denominação de Origem Controlada podem chegar a 30%, diz Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ.
O Instituto Nacional de Propriedade Intelectual é responsável pela qualificação de origem dos produtos brasileiros. Segundo Marcelo Luiz Soares Pereira, coordenador-geral da área de Indicação Geográfica, o país trabalha com a Indicação de Procedência e a Denominação de Origem.
Para exibir esses selos, é importante que o setor se organize e comprove qualidades exclusivas dos produtos, como região ou ingredientes específicos.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Julio Cesar Guimaraes / Agência O Globo