Ex-executivo que vivia em aeroporto do Rio consegue emprego

om dificuldades de voltar ao mercado desde 2015, o catarinense Vilmar Mendonça, conhecido por usar as dependências do Aeroporto Santos Dumont, postou nesta quarta-feira que conseguiu um emprego. Após reportagem publicada pelo GLOBO, Vilmar recebeu três propostas, uma delas foi oferecida por um advogado, dono de dois restaurantes em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que ficou sensibilizado. Nesta quarta-feira, Vilmar tirou uma foto dentro do metrô a caminho do novo emprego, e o advogado confirmou que o ex-executivo aceitou trabalhar com ele.

“Eu estou indo agora iniciar o meu primeiro dia de trabalho. O retorno.. Muito obrigado a todos que me ajudaram. Quero agradecer em nome de Deus as pessoas generosas que me deram apoio e rezaram por mim, agora tenho que focar meus pensamentos no meu serviço e procurar desenvolver aquilo que sempre fiz no trabalho, ser o melhor. Deus me deu uma grande prova de vida e sei que ele está contente por ter superado com dignidade as dificuldades que tive que enfrentar”, diz trecho do texto de Vilmar, publicado nas redes sociais.

Vilmar conta que foi executivo de grandes empresas, com vasta experiência na área de recursos humanos. Diz ser mais uma vítima da crise econômica, agravada pela derrocada financeira do governo do estado. Apesar de apresentar bom currículo e formação, ele lamenta que, desde 2015, tem dificuldades para voltar ao mercado de trabalho.

Vilmar é um dos milhares de desempregados do estado. Segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, no Rio há, atualmente, 1,214 milhão de desempregados. No Brasil, são 14,176 milhões de pessoas sem carteira assinada. Ao mesmo tempo, as ruas vão se enchendo. De acordo com um levantamento da prefeitura, há 14.279 sem-teto na cidade, que dormem ao relento.

O currículo que Vilmar faz questão de exibir é rico: ele foi gerente de grande grupos privados. Em 1977, aos 16 anos, saiu da cidade de Itajaí, em Santa Catarina, onde morava, e foi estudar em São Paulo. Lá, formou-se pela Faculdade Metropolitana Unidas (FMU) e tornou-se especialista em recursos humanos. Em dezembro de 2012, após perder o emprego, saiu de vez de São Paulo e veio tentar a vida no Rio.

Diante da crise financeira em que se encontrava, Vilmar afirmou que não teve alternativa. A grana, o pouco que lhe restava, já não dava mais para pagar as contas nem lugar para morar. Em janeiro de 2016, decidiu ir para as ruas. Durante o dia, ele usava a área de embarque do Aeroporto Santos Dumont, além da internet, do banheiro e da água do local. À noite, quando o aeroporto fechava, dormia na rua.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior