Confrarias aquecem o inverno entre amigos

Friozinho, aconchego, bons amigos e bons vinhos. Está criada a fórmula para o surgimento crescente de verdadeiras confrarias de apreciadores de gastronomia e de boas doses de cautela. Se os tempos andam sugerindo menos circulação à noite, a casa de um confrade está logo ali, segura e à mão. Se o clima afasta o gelo das cervejas artesanais, os rótulos mais incensados estão acessíveis até pelo WhatsApp. As confrarias revelam-se, invlusive, boas oportunidades para degustação de marcas mais caras, já que os custos são divididos entre os confrades.

Sábado passado ocorreu a mais recente reunião da Família Confraria, que reúne seis casais — os homens são amigos de infância. Como de costume, os anfitriões decidem o tipo de vinho que vão degustar. A escolha pode ocorrer a partir do tipo de uva, da nacionalidade ou das diferentes safras. Desta vez, recaiu sobre vinhos argentinos.

QUITUTES

Outra regra da Família Confraria é que, além dos petiscos comuns a todos os encontros (queijos variados, frios, pastinhas, pãezinhos), os donos da casa oferecem um prato. Não vale pedir delivery. Para acompanhar os argentinos, a opção do anfitrião, o médico Carlos Eduardo Campani, foi bife de picanha maturada. Mas já teve suflê de bacalhau para harmonizar com vinhos portugueses; risoto de gorgonzola com crispys de Parma para escoltar os italianos; e bruschettas para dar a química com os cabernet sauvignon de diferentes vinícolas…. No fim, todo o custo é dividido. Quanto aos vinhos, cada casal leva duas garrafas, sendo que o anfitrião precisa ter uma extra, caso os confrades se empolguem.

— A confraria foi a forma que encontramos para degustarmos bons vinhos, que nos restaurantes costumam ser bem mais caros — diz Campani. — E com essa cidade violenta do jeito que está, ainda evitamos sair à noite.

Tintim. Carlos Eduardo, Ronaldo, Bernardo, Milena, Pilar, Geisa, Felippe e Dayane, da Família Confraria: anfitriões escolhem o tipo de vinho que será degustado e preparam um prato especial – asAS
A Confra Rosé é outro grupo, mas neste só entram meninas. Criado há três meses, reúne 22 mães de crianças de 7 anos, em média, que estudam no mesmo colégio há aproximadamente quatros anos. Elas se tornaram amigas durante reuniões da escola e aniversários dos filhos. Com profissões variadas, mas tendo em comum a rotina agitada e o gosto pelo vinho, as amigas decidiram criar a confraria para ter um momento só delas.

Cada integrante leva um prato, que varia de petisco a receita de família, e todo encontro tem um tema. O último explorou as diferenças entre os vinhos do Velho Mundo e do Novo Mundo. A grande atração foi uma banda ao vivo, e teve até fotógrafa profissional para registrar o encontro.

DIA SAGRADO

As participantes estipulam um valor, que é divido entre elas, e contratam um fornecedor de vinho. A empresa serve um menu degustação e envia as informações sobre os rótulos, que serão discutidos por elas na reunião. A principal regra é: “O que acontece na confra fica na confra”. O dia de encontro também é sagrado, e as crianças ficam com os pais. As reuniões acontecem uma vez por mês, sempre na casa da médica Karin Toledo.

— O meu marido e os de outras meninas já participavam de confrarias, mas, mesmo assim, no início alguns estranharam o fato de ser uma confraria só de mulheres. É um momento muito nosso. Além dos temas de vinho, estamos pensando em trazer temas do nosso universo, como a importância da individualidade da mulher, de manter momentos como esse que temos na confraria, de relaxamento e diversão — diz a anfitriã.

Diversão. Karin, Vêronica, Silvia, Viviane e Cristina, da Confra Rosé: o que acontece na confra fica na confra – Domingos Peixoto
A confraria de vinho do médico Orlando Aquino, marido de Karin, existe desde 2008. Começou com seis amigos médicos que apreciavam muito a bebida. Eles foram convidando outros amigos e chegaram a 20 participantes. Hoje, o grupo é fechado, e é proibido faltar. Mas se alguém precisar faltar, pode indicar alguém para ir em seu lugar. As reuniões acontecem sempre na casa de um mesmo amigo. Eles estabeleceram uma mensalidade fixa. Com o orçamento, os confrades compram os vinhos, muitas vezes em viagens, e cobrem os gastos com a comida, que geralmente fica a cargo de um chef.

— Nós nos encontramos, impreterivelmente, toda segunda quinta-feira do mês, e fazemos uma festa maior no fim do ano, quando nossas mulheres vão, e convidamos outros amigos também — relata Aquino.

WINE BAR

A Grand Cru, em Icaraí, inaugurou na última terça-feira um wine bar com mais de mil rótulos de vinhos. A loja teve o primeiro piso remodelado para abrigar o novo espaço, que tem algumas adegas climatizadas e mesas decoradas compondo um ambiente aconchegante, cercado pela inspiração que vem de variados rótulos disponíveis na casa.

Uma das pedidas são as taças oferecidas a preços proporcionais aos das garrafas, ou seja, se uma garrafa serve em média seis taças, o preço da garrafa será dividido para obter o valor unitário da taça. Na maioria dos restaurantes, a taça chega a ter preço de meia garrafa.

Outro diferencial é que toda a loja é climatizada, inclusive o estoque, o que permite manter a temperatura ideal de todas as garrafas, tanto as servidas no bistrô quanto as vendidas na loja. No novo ambiente o cardápio inclui tábuas de queijos e frios e entradas variadas. Destaque para o tartar de filé-mignon, o carpaccio de rosbife, a burrata e a camponata.

O wine bar funciona de terça-feira a sábado, das 17h as 21h. Mas a gerente Elisangela Ribeiro adianta:

— Se um cliente passar por aqui às 16h e quiser uma tacinha, não teremos como negar. A ideia é justamente atender antigos clientes, que, por vezes, querem só tomar uma tacinha de vinho rapidamente ou mesmo apreciar um bom rótulo em horário de happy hour, acompanhado de comidinhas mais práticas.

SERVIÇOS DIFERENCIADOS

Para atender às demandas de seus clientes, supermercados investem em serviços diferenciados. O Prezunic da Rua Coronel Moreira César, em Icaraí organizou uma confraria que já tem mais de uma dezena de pessoas. Com a ajuda do consultor Fabiano de Souza, o grupo recebe orientações e é o primeiro a saber de ofertas, palestras, novos rótulos e degustações promovidas pela rede em Niterói. Pelo WhatsApp, o consultor dá dicas de harmonizações e outras informações. Para participar, basta procurar o consultor na loja.

A rede de supermercado Real realizou na última semana uma degustação de vinhos na Vila Toscana, em Itaipu, para apresentar rótulos de inverno. A maioria está na lista promocional da rede — com a presença de 12 importadoras de vinhos e produtores de azeites e pães portugueses. Degustações menores são feitas semanalmente nas lojas, que contam diariamente com um sommelier.

O Pão de Açúcar tem parceira com mais de 25 vinícolas do mundo todo e importa com exclusividade mais de 300 rótulos de Chile, Argentina, Portugal, Espanha, Uruguai, Itália, França, África do Sul e Nova Zelândia, que podem custar até 15% menos. Todas as lojas têm atendentes especializados, e a rede conta com o programa Viva Vinhos, uma assinatura mensal de rótulos exclusivos. O programa tem dois planos de assinaturas: o Essencial (R$ 79), ideal para quem busca qualidade e diversidade; e o Suprema (R$ 99), que traz vinhos de personalidade, com maior complexidade de aromas e sabores. Para assinar, basta acessar o site paodeacucar.com/vivavinhos.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Domingos Peixoto