Veterinário atende urubu ferido por linha com cerol e diz que acidentes do tipo são constantes

Em período de férias escolares, enquanto crianças e adultos se divertem soltando pipa pelos céus da cidade, aves que sobrevoam o município do Rio correm o constante risco de serem atingidas pelo cerol que transforma os brinquedos voadores em verdadeiras armas. Foi o que aconteceu na manhã desta segunda-feira com o urubu Max, que sofreu um profundo corte e uma fratura na asa esquerda antes de ser atendido em uma unidade da Suipa na Avenida Dom Hélder Câmara, em Benfica.

A ave sobrevoava a região do Jacarezinho quando foi atingida pela linha cortante de uma pipa e caiu. Um grupo de pessoas que viu a queda e os ferimentos de Max levou o urubu até a unidade da Suipa, onde os veterinários Luiz Eduardo Castro e Marcelo Boaventura o atenderam Max, batizado logo após o atendimento.

Segundo Luiz Eduardo Castro, esta é uma época do ano em que incidentes do tipo são recorrentes, devido ao grande aumento do número de pipas no período de férias escolares. Ele também ressalta que o fato de o urubu ter sido encaminhado com rapidez a uma unidade de tratamento foi determinante para evitar um agravamento do quadro clínico da ave.

– Nessa época do ano, fazemos, em média, um atendimento por semana a aves feridas com com cerol. Em todo caso, o Max teve muita sorte, pois foi trazido para cá rapidamente. Ele teve um corte profundo e uma fratura na asa esquerda, mas conseguimos fazer uma cirurgia de reconstituição e ele está se recuperando bem – comemorou Castro.

O veterinário também se mostrou esperançoso sobre as chances de urubu ser devoldido à natureza em breve. Segundo ele, a estimativ é de que Max possa começar a levantar pequenos voos dentro de aproximadamente um mês.

– Além da fratura da asa, houve o rompimento de um ligamento, mas a cirurgia foi um sucesso. Vamos acompanhar a recuperação do Max nos próximos 30 dias, e se tudo ocorrer como o esperado, ele poderá ser devolvido à natureza. O Zeca, outro urubu que atendemos este ano, não teve a mesma sorte, e precisou ter parte de uma asa amputada.

Apesar dos riscos relacionados à linha com cerol, Castro destaca que aves também dão entrada na Suípa devido a ferimentos causados por balas perdidas ou maus-tratos.

– No período de férias escolares, os ferimentos por cerol de fato são predominantes, mas nas demais épocas do ano é mais comum fazermos atendimentos a aves feridas em tiroteios ou dentro de cativeiros – relata.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação / Suipa