Arte de Portas Abertas tem edição com público reduzido

Usar a arte como meio de ocupação urbana para combater o medo foi um dos principais desafios dos organizadores do Arte de Portas Abertas, em Santa Teresa, evento que chegou à sua 27ª edição neste fim de semana, com público reduzido em relação às versões anteriores. Pelos cálculos da artista plástica Sandra Fioretti, diretora cultural da Chave Mestra, a Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa, o evento esse ano atraiu cerca de 10 mil pessoas em cada um dos dois dias de realização, contra a média de 15 mil, por dia, de edições anteriores.

— Muita coisa mudou nessas 27 edições. O bairro mudou, tinha mais ateliês, que hoje estão agrupados em espaços culturais, até mesmo pela questão da segurança. Estamos fazendo um trabalho para atrair os jovens. Todos estão com muito medo. A cidade está largada. As associações fazem o que podem e a gente utiliza a arte para promover essa ocupação urbana e mostrar que não vale a pena ficar em casa — diz a artista plástica.

Desde que foi criado, em 1993, o evento vem promovendo a aproximação entre os artistas, sua obra e o público. No início eram duas edições anuais. Agora é só uma. Os criadores abrem seus ateliês para receber visitantes. Na atual edição, participam 17 ateliês e 50 artistas. Também aderiram, 21 restaurantes, sete hospedagens e sete espaços culturais. A novidade dessa vez foi o Poesia do Meio Fio, em que artistas e público eram convidados a registrar seus textos nas pedras da rua, junto às calçadas.

— Esse evento é uma oportunidade emocionante. Aproxima público e artistas. As pessoas estão precisando avidamente de arte. É ela que alimenta a alma — define artista plástica Deborah Costa.

O professor Ângelo Pereira, de 57 anos, morador em Santa Teresa, acha que o evento dá visibilidade ao bairro. Já o engenheiro Adilson Santiago, de 49 anos, morador em Botafogo, diz que o Arte de Portas Abertas é importante por ajudar as pessoas a esquecerem um pouco o medo da insegurança e ir para as ruas.

— A arte é um refúgio para o horror do dia a dia, numa cidade que enfrenta o aumento da violência — analisa.

A pintora Cláudia Juannes, que estava expondo no Solar Mariano, concorda com o engenheiro:

— O evento é um aconchego na alma do carioca.

Para facilitar os deslocamentos, o bondinho que só funciona de segunda a sábado circulou excepcionalmente no domingo, das 11h às 17h. Mas, os passageiros reclamaram da tarifa de R$ 20 (moradores cadastrados, estudantes uniformizados, idosos e portadores do Vale Social têm direito à gratuidade).

— Virou coisa de turista — reclamou Selma Manhães, de 52 anos, moradora no Recreio.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta junior
foto: Guito Moreto / Agência O Globo