Livro que compara 20 anos da cena musical será lançado com shows hoje em Niterói

O Dia Mundial do Rock foi ontem, mas os roqueiros da cidade vão ter uma festa digna da comemoração hoje, no Convés, no Gragoatá. O lançamento do livro “coLUNAs”, do jornalista Pedro de Luna, que conta histórias da cena independente da cidade nas duas últimas décadas, reunirá shows do Projeto Secreto, Gilber T & Os Latinos Dançantes, Pedro Marzano e, nos intervalos, o Rootscidade.

O livro “coLUNAs” é o sexto do jornalista niteroiense e reúne os textos publicados por ele de 1996 a 1998 e de 2008 a 2009 no jornal local “LIG”, de distribuição gratuita. Na coluna que manteve nessas duas temporadas, o fanzineiro levava aos leitores informações sobre shows, campeonatos de surfe, bodyboard e skate, festas, debates, filmes, convenções de tatuagem e tudo o que estivesse ligado à cultura alternativa no Rio, especificamente, em Niterói. Sua inspiração era a coluna Rio Fanzine, editada por Tom Leão e Carlos Albuquerque no Segundo Caderno do GLOBO.

— Apesar das diferenças da cena nas duas épocas, havia uma coisa colaborativa, de agregar as bandas e os campeonatos de skate. É incrível como hoje esses eventos acontecem de forma isolada, porque era tudo uma coisa só — observa Luna.

Do final dos anos 1990, estão registrados no livro, por data, mês e ano os shows em Niterói de bandas como Planet Hemp, O Rappa, Raimundos, Charlie Brown Jr, Garotos Podres, Pavilhão 9, Black Alien, Funk Fuckers, Racionais MCs e Matanza. A primeira vez que a coluna foi publicada foi justamente no dia em que o Planet Hemp tocou no extinto Bedrock, em Charitas. O livro tem imagens raras dessa data.

O livro também fala de como os músicos foram se adaptando, ao longo dos anos, para fazer suas apresentações na cidade. Se na década de 90, mais eclética, eles conseguiam espaços para tocar com mais facilidade, depois, nos anos 2000, quando houve uma segmentação, eles passaram a pagar para abrir shows de bandas já consolidadas.

— Antes eram eventos que juntavam bandas de hard core, metal, punk, rap. Depois, ficou uma coisa mais segmentada, existiam eventos específicos tipo de hard core melódico, com três bandas só desse estilo. O público que antes se misturava, ficou bem mais segmentado — conta Pedro, que também ressalta o impacto das mudanças tecnológicas. — Em apenas dez anos, os novos meios de produção e a internet mudaram tudo. Nos anos 90, as bandas batalhavam para gravar uma fita demo em formato K7, ter um CD… Aparecer na MTV e tocar na rádio era um sonho. Uma década depois, o CD já podia ser gravado e replicado em casa com facilidade, e as bandas passaram a ter acesso direto com o público através de plataformas virtuais.

A apresentação de “coLUNAs”, que é dedicado ao músico e produtor cultural Rafael Lage, assassinado no dia 28 de maio, durante uma tentativa de assalto a um bar no Ingá, é escrita pelos jornalistas Luiz Antônio Mello e Tom Leão, duas referências para o autor.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Agência O Globo / fernando lemos