Um mês depois de aberta, garagem subterrânea de Charitas está às moscas

Planejada principalmente para atender motoristas vindos da Região Oceânica que estacionam no bairro antes de seguirem para o Rio, a garagem subterrânea de Charitas, inaugurada há um mês, com 230 vagas, ainda não emplacou. O equipamento explorado pela Niterói Rotativo estava às moscas nas cinco vezes em que a equipe de reportagem visitou o local. Por outro lado, nos estacionamentos particulares do entorno é difícil encontrar vagas. Usuários justificam a escolha devido ao preço mais baixo da concorrência e à proximidade com a estação de catamarãs.

Moradores do bairro contam que, com a inauguração da garagem — cuja diária custa R$ 20 —, os estacionamentos particulares baixaram seus preços. Um deles, inclusive, mais afastado da estação hidroviária, cobra R$ 10 e ainda oferece transfer, num Doblò, até lá. Perto do catamarã há três estacionamentos. O Classic Park funciona na casa de festas Maison Cascade e cobra R$ 10, a diária; o Ativo Park, ao lado do número 867 da Avenida Prefeito Silvio Picanço, exibe uma placa de promoção, a R$ 15, a diária; mesmo preço cobrado pelo Santa Cândida Parking, na Rua Santa Cândida. A prefeitura não respondeu se os estabelecimentos têm autorização para explorar o serviço. Em nota, disse que “Secretaria de Ordem Pública já deu início ao processo de ordenamento do bairro e todos os estabelecimentos serão vistoriados”. Com a inauguração da garagem também começou a operar o sistema de estacionamento rotativo nas ruas de Charitas, a R$ 3,50 por até duas horas, com cerca de 250 vagas.

Nas ocasiões em que esteve na garagem (em 14, 18, 21 e 28 de junho e no último dia 4), O GLOBO-Niterói encontrou, no máximo, dois carros parados. Havia também funcionários secando as poças d’água que aparecem constantemente no piso e fazendo pequenos reparos que causam interdições em áreas internas do estacionamento. A Niterói Rotativo disse apenas que são serviços pontuais, necessários em razão da complexidade da obra.

A não redução da passagem do catamarã de Charitas (R$ 16,60) e a falta de opção de um transporte marítimo com tarifa mais barata em Charitas — expectativa da prefeitura quando o projeto da Transoceânica foi lançado — também podem ter afetado o funcionamento da garagem subterrânea.

Morador da Região Oceânica, o jornalista Paulo Marcio Vaz trabalha no Centro do Rio, mas o preço alto do catamarã, mais o do estacionamento, exige que ele faça um deslocamento muito maior do que gostaria:

— Vou de carro, via túnel Charitas-Cafubá, até Icaraí, onde deixo o carro estacionado na garagem do prédio da minha mãe. De lá, sigo de bicicleta até o Centro. Deixo a bicicleta no bicicletário e pego a barca.

A distância da garagem subterrânea para o catamarã também é um fator importante, como aponta o analista de sistemas Giovani Santiago, que faz o trajeto diariamente.

— Nunca coloquei o carro lá, nem vou colocar enquanto tiver estacionamentos mais próximos da estação e com diárias mais em conta. Aqui, pago R$ 15, e é só atravessar a rua para pegar o catamarã — disse ele na terça-feira, apontando para o terminal hidroviário enquanto parava o carro no Ativo Park. — A garagem foi feita muito longe (da estação). Não é para quem quer praticidade.

A garagem foi projetada inicialmente para funcionar ao lado da estação hidroviária, mas o solo no local foi considerado inapropriado, e a obra, que custou R$ 22 milhões, foi transferida para cerca de 800 metros de distância do terminal.

A prefeitura reafirma que “vem reivindicando, junto ao Governo do Estado, a redução da tarifa do catamarã de Charitas” e que “a garagem, no entanto, visa a atender não só os usuários do terminal de Charitas, mas também os moradores e visitantes do bairro”. O município acredita que o crescimento do comércio e do polo gastronômico da região e a revitalização da orla farão com que o movimento na garagem aumente a curto e médio prazos. Já a Niterói Rotativo diz que o baixo movimento vem sendo registrado porque o negócio ainda passa pelo período de estabilização e também sofre com a crise econômica que afeta o país.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Agência O Globo / Monica imbuzeiro