O Consórcio Contemat/Concrejato, responsável pela construção da Ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, começou a fazer os reparos na estrutura após a última vistoria da Geo-Rio constatar problemas na grade de proteção e na pista. As obras tiveram início no dia 2 de maio e devem durar, pelo menos, três meses, de acordo com a prefeitura.
Segundo a Secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, as telas da grade não apresentam resistência suficiente de fixação para suportar a força das ondas e, por isso, terão que ser substituídas. A empresa também vai precisar retirar as tábuas da pista para realizar a troca dos apoios, feitos de neoprene, um tipo de borracha sintética que, conforme constatou a vistoria, não apresenta espessura correta.
Durante as obras, custeadas pelo consórcio, haverá interdições em alguns trechos para a realização dos reparos. Neste primeiro momento, os ajustes acontecem do início de São Conrado até a altura do número 318 da Avenida Niemeyer.
Em março, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) recomendou que a ciclovia continuasse interditada, preventivamente, no trecho entre São Conrado e Leblon, até que fossem realizadas obras para corrigir os problemas estruturais. Na ocasião, engenheiros do conselho concluíram que a via não apresentava condições adequadas de segurança. O Crea havia sugerido, ainda, o fechamento da via no período de ressacas, de abril a agosto, o que é feito atualmente pela prefeitura.
Após analisar o laudo do Crea, a Justiça determinou que o trecho próximo ao acidente fosse interditado — entre Vidigal e São Conrado — por tempo indeterminado. O juiz Marcello Alvarenga, da 9ª Vara de Fazenda Pública, exigiu ainda o que o município realizasse reparos e adotasse providências recomendadas pelo conselho.
A prefeitura e a Fundação Geo Rio chegaram a entrar com um recurso contra a decisão, alegando que um laudo técnico feito em conjunto pela Secretaria Municipal de Defesa Civil e a fundação atestava a inexistência de risco na via. No mês passado, no entanto, o município desistiu do recurso, que foi apresentado à 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio. A determinação do juiz havia sido dada em 1ª instância.
A reabertura do trecho está condicionada ao encaminhamento à Justiça de “documentos que atestem e comprovem o cumprimento das medidas necessárias ao resguardo da obra e da segurança dos usuários”.
O desabamento de parte da estrutura aconteceu no dia 21 de abril do ano passado e deixou dois mortos — o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos, e o gari comunitário Ronaldo Severino da Silva, de 60. Dezesseis pessoas foram responsabilizadas pelo acidente, entre funcionários da Geo-Rio, técnicos do consórcio e de duas empresas que participaram do desenvolvimento do projeto.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo