Alunos dos ensinos fundamental e médio do Colégio Internacional Everest, na Barra, foram premiados, no mês passado, numa competição que reuniu estudantes de 170 diferentes nacionalidades na sede da ONU, em Nova York. O National High School Model United Nations transcorre como a simulação de uma conferência, e proporciona aos alunos a possibilidade de atuar como diplomatas mirins, seguindo os protocolos da entidade. Durante os encontros, eles precisaram propor acordos para pôr fim a impasses de relevância mundial.
Quinze alunos da escola viajaram para os Estados Unidos. Eles foram os únicos a trazer o prêmio de delegação de língua estrangeira com excelente desempenho — outras duas escolas brasileiras participaram da simulação, considerada a maior conferência modelo do mundo. A escola ficou entre as quatro melhores nessa categoria, competindo com outras 48 instituições de várias partes do mundo.
As simulações seguiram o padrão diplomático, desde a roupa usada pelos estudantes até o pedido de tempo feito pelos participantes. Divididos em comitês, os jovens debateram, sempre em inglês, temas variados, preestabelecidos pela ONU em outubro do ano passado. Os alunos Julien Daube e Thiago Baldine falaram sobre o meio ambiente, com destaque para a questão do hidrocarboneto na economia.
— Tínhamos que defender a postura do país em relação aos temas. As coisas não podiam ser aleatórias, tiradas das nossas cabeças. O mais interessante é que pudemos ter contato com pessoas com hábitos e comportamentos diferentes, o que nos fez observar que há várias ideias distintas. Aprendemos um pouco com cada uma — explica Baldine.
Entre os temas discutidos pelos demais estudantes estavam questões espinhosas, como o combate à xenofobia na Europa, a situação política da Líbia, o impacto dos agrotóxicos na saúde, a necessidade do desarmamento em países africanos e o uso da internet por terroristas. Matriculada no 9º ano, Beatriz Glafer participou, ao lado da colega Isabela Massadar, de uma discussão sobre a violência contra a mulher:
— Debatemos a questão da violência sexual como arma de guerra em zonas de conflito. Foi uma possibilidade de tratar de temas atuais e que realmente são abordados dentro da ONU.
A professora Fernanda Macena, coordenadora de língua inglesa do Everest, destaca o ineditismo do prêmio conquistado pelos estudantes brasileiros.
— A simulação foi criada em 1975, e esta é a primeira vez que o Brasil sai de lá com um prêmio de melhor performance — conta Fernanda, orgulhosa.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Bárbara Lopes / Agência O Globo