Integrantes da Portela lamentam divisão de título do carnaval com a Mocidade

Os arredores da quadra da Portela, em Madureira, amanheceram com integrantes da escola sentindo o gosto amargo de ter que dividir o título com a coirmã Mocidade. Destaque da escola há 10 anos, a aposentada Neide Chavez, de 74 anos, disse que não concordou com a decisão da Liesa de dividir o título.

— Isso foi muito errado. Para mim, o título é da Portela. Faltou destaque no carro deles, isso ficou claro. O destaque veio no chão. Para mim, o carnaval se decide na Quarta-Feira de Cinzas, depois disso é olhar para o ano seguinte — defendeu.

Outra que também não conseguiu digerir a notícia foi Teresinha de Jesus Moraes, de 84 anos. Servente da agremiação, ela desfila na ala da diretoria e diz que está na escola desde os 16 anos:

— Nasci na Tijuca, todo mundo diz que eu deveria ser salgueirense, mas meu coração é de Madureira. A Portela é minha vida: — declarou-se:

— Acho que a gente tem que desfilar bonito e ter o resultado único. É desnecessário isso que fizeram. Não tem discussão. O título é só nosso e pronto.

Dentro da escola, a ordem é manter o silêncio, segundo alguns funcionários. A diretoria convocou para esta quinta-feira à tarde uma entrevista coletiva para se pronunciar sobre o resultado. A Portela foi a única agremiação que votou contra a divisão do título. Vila Isabel, Grande Rio, União da Ilha, Paraíso do Tuiuti, Mangueira, São Clemente e Mocidade foram a favor. Imperatriz Leopoldinense, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos da Tijuca e Salgueiro não quiseram votar.

O impasse em torno do resultado do carnaval teve início quando, no último dia 23, a Mocidade solicitou a divisão do título para, segundo a escola de Padre Miguel, tentar solucionar o erro de um jurado. Para a agremiação, que havia ficado com o vice-campeonato, a nota do julgador Valmir Aleixo foi injusta e impediu que ela vencesse a disputa. Aleixo teria feito o julgamento do abre-alas se baseando nas informações da primeira edição do roteiro do desfile, em que haveria a participação de um destaque num determinado trecho da apresentação. Mas, numa segunda edição do material, que não foi recebida por Aleixo, houve a retirada do destaque do enredo.

O resultado foi que Aleixo subtraiu um décimo em sua nota, sob o argumento de que a Mocidade “não apresentou o destaque de chão” (…)“o Esplendor dos Sete Mares, que executa função narrativa dentro do enredo, comprometendo assim sua leitura”, justificou o jurado. A própria Liesa reconheceu que esse destaque só existiu na primeira versão do abre-alas, em que ficam registrados todas as fantasias e as alegorias da escola. Portanto, teria havido uma falha na distribuição do roteiro do desfile que ajuda o júri a acompanhar o espetáculo e a votar de acordo com as regras da Liesa.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fabio Guimarães / Agência O Globo