Eles não sabem exatamente quando o grupo se formou. Mas em março do ano passado fizeram o primeiro grande encontro e, nessa ocasião, a confraria, formada por amantes de carros antigos da marca Volkswagen, recebeu um nome, em homenagem a Ricardo Gomes de Souza, de 61 anos, que tem uma oficina mecânica. Assim, nascia a Vôvolks, que acabou de completar seu primeiro aniversário, com direito a comemoração hoje, das 9h às 15h, no estacionamento do Shopping Champagnat.
— Sou o mais velho da turma. Todo mundo me chama de vovô. Aí, nessa de vovô, vovô, vovô, alguém falou Vôvolks e pronto! Ganhamos um nome na brincadeira. É um prazer para mim ter sido, de certa forma, fonte de inspiração da galera — disse Souza.
Apesar de já ter sido dono de vários Fuscas, ele só descobriu o amor pelo veículo quando passou por um, completamente destruído e abandonado, no bairro de Ramos. Como sua oficina presta serviços de pintura e lanternagem, teve uma ideia imediatamente.
— Fiquei com pena dele e pensei em restaurá-lo. Mas, para isso, eu tinha de comprar o carro. Descobri que o dono era um senhorzinho de 76 anos, que topou me vender na hora. Sabe que, mesmo com o carro todo amassado e ruim, quando o reboque chegou para levar o Fusquinha, ele começou a chorar? Mas ficou todo feliz quando eu voltei lá com o carro reformado para mostrar como ficou — lembra ele, que, atualmente, tem outros dois Fuscas estacionados em sua garagem, já garantidos para seus netos de 6 e 3 anos.
A estudante Dayana Carvalho, de 17 anos, não estranhou nem um pouco quando o pai, o contador João Marcelo, chegou com um Fusca em casa. O carro não tinha banco, estava com a pintura gasta e cheio de arranhões e amassados. Mas esse estado crítico do automóvel não durou muito tempo.
— Ele é o meu Frankenstein. Fomos montando parte por parte e, assim, tomando carinho pelo carro. Hoje, me divirto tanto com os bons momentos quanto com os perrengues que já passamos com ele — conta ela, que também frequenta as reuniões mensais do Vôvolks. — É muito bom acordar cedo num domingo e ver o meu pai no encontro, com os olhos brilhando. O Fusca remete à juventude dele, porque foi o primeiro carro que teve e, certamente, vai ser o que eu vou comprar quando estiver com idade para dirigir e com dinheiro para comprar um para mim.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Agência O Globo / Fabio Rossi