Nem a dívida milionária herdada da administração passada, nem o temporal da terça-feira com queda de barreiras e transbordamento de rios, que deixou um morto e ruas cobertas de lama e lixo, impediram a prefeitura de Petrópolis, na Região Serrana, de comemorar os 174 anos da cidade com apresentação de orquestra, conjuntos musicais, rodas de samba e bandas locais. A programação, aberta ontem e que continua hoje, teve como ponto alto a apresentação da bateria da Portela, campeã do carnaval carioca com enredo justamente sobre rios — os de Petrópolis estão assoreados, e as inundações no município são recorrentes.
Horas antes da apresentação dos ritmistas da azul e branco de Madureira, em palco montado no Centro Histórico, a sujeira continuava acumulada nas ruas. O Centro, o Quitandinha e o Duques foram os bairros mais castigados pela chuva forte da véspera. Foi no Duques, aliás, que Adilson Silvio Kopke morreu soterrado após um deslizamento atingir sua casa.
De acordo com a Secretaria municipal de Defesa Civil, a maioria dos chamados foi por queda de pequenas barreiras. Lojas do Centro Histórico e do Bingen foram tomadas pela enchente. O maior índice pluviométrico registrado foi no bairro Independência, onde choveu 180 milímetros em seis horas. Entre 1º de janeiro e ontem, a Defesa Civil atendeu a 435 ocorrências relacionadas às chuvas
Petrópolis é governado pelo ex-deputado estadual Bernardo Rossi (PMDB), que já foi vereador na cidade. Seu antecessor, Rubens Bontempo, ficou conhecido nacionalmente após decretar calamidade pública, também por causa de enchentes, e viajar com a família para Búzios. De acordo com a equipe do prefeito atual, Bontempo deixou dívidas que totalizam R$ 585 milhões. Mas a prefeitura não informou quanto está sendo gasto com os festejos da cidade no pós-temporal.
Em nota, a prefeitura de Petrópolis informou que optou por manter a programação de aniversário da cidade, “planejada há mais de 40 dias, apesar de estar enfrentando as chuvas de verão e a cidade estar em estado de atenção pela Defesa Civil desde dezembro, início do período de chuvas fortes e continuadas”.
A cidade está sob decreto de calamidade pública. Na nota, a prefeitura diz que, por economia, deixou de realizar eventos de carnaval. E que, pelo mesmo motivo, foram cortados aluguéis, combustível e telefones celulares de secretários
“Estamos em luto pela perda de Adilson Silvio Kopke. A prefeitura está presente junto à família dele, vítima de um deslizamento de terra na noite de terça-feira por meio da Secretaria de Assistência Social. A Defesa Civil opera em sistema de atenção com a previsão de possibilidade de mais chuvas fortes. A programação de festejos foi mantida, mas pode ser suspensa a qualquer momento em função das chuvas”, diz a nota assinada pelo presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Leonardo Randolfo, responsável pela festa.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto:Reprodução Facebook / Nádia Santos