Associações do Leblon e Ipanema pedem o fim dos blocos de rua

O carnaval acabou há cerca de três semanas. Mas a lembrança que muitos moradores da Zona Sul têm da festa nas ruas não é das melhores. Excesso de gente, de lixo e falta de organização marcaram a folia, segundo eles. Incomodados, representantes de associações de moradores dos bairros do Leblon e de Ipanema se reuniram com membros da prefeitura, das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros no auditório do Colégio Notre Dame para, juntos, fazerem uma avaliação sobre o carnaval deste ano e apresentarem sugestões para 2018. Entre os grupos presentes, há a ideia unânime de que não deve mais haver blocos de rua na região.

— A prefeitura tem que entender que o carnaval é para todos, inclusive para os que não gostam de farra. A Zona Sul não quer mais blocos. O que aconteceu este ano foi que a região virou um motel e uma privada a céu aberto. Nós, moradores, pagamos um IPTU altíssimo e ficamos impedidos de sair de casa. O metrô da Antero de Quental despejava mil pessoas a cada dez minutos — reclamou Denise Corrêa, presidente da Associação de Moradores e Amigos da Selva de Pedra (Adespe), um conjunto de 40 prédios no Leblon.

Segundo ela, outro problema foi a venda de cervejas pelos ambulantes, que fez com que dezenas deles dormissem pelas praças ao redor dos prédios do bairro, causando grande incômodo aos moradores.

RIOTUR PEDE DIÁLOGO AOS MORADORES

A coordenadora do Projeto de Segurança de Ipanema, Ignez Barretto, conta que as associações estão há mais de quatro anos com uma ação no Ministério Público pedindo “o fim do modelo de carnaval imposto pela prefeitura”.

— Já nos disseram que é uma manifestação espontânea e popular e que não há nada que se possa fazer para impedi-la. Mas não é bem assim, já que é patrocinada por uma cervejaria. Virou um negócio. E os moradores são obrigados a passar por esse inferno — afirma Ignez.

A moradora do Leblon Marisa Rocha disse que o carnaval deste ano foi um desastre para os moradores do bairro.

— Passaram pelo Leblon blocos com mais de 20 mil pessoas. Eram grupos regados a bebidas, sexo, drogas e urina. Não havia policiamento suficiente para fiscalizá-los. Foi um verdadeiro horror — conta Marisa.

Presente na reunião, o gestor de carnaval da Riotur Mario Filippo pediu que moradores, associações e dirigentes de blocos dialoguem e tentem evitar o clima de rivalidade.

— Eu não posso simplesmente dizer que a Zona Sul não terá mais blocos. Muitos deles são tradicionais e organizados também por moradores, que têm os mesmos direitos. Os interesses de ambas as partes são legítimos — diz Filippo. — É preciso que, cada vez mais, tornemos a festa organizada e com o menor impacto possível para os moradores.

Segundo o gestor, o carnaval deste ano — não apenas na Zona Sul, mas em toda a cidade — foi marcado pelo excesso de gente. Só pela Zona Sul desfilaram 155 blocos.

— Ao mesmo tempo em que isso é ótimo para a cidade, sem dúvida trouxe muitos transtornos para os moradores — diz o representante da Riotur.

Durante o encontro, Filippo se comprometeu a incluir as associações na organização do carnaval de rua em 2018, convidando-os para reuniões periódicas. A próxima está prevista para o mês que vem.

Este ano, o Rio recebeu cerca de 1,1 milhão de turistas durante o carnaval, segundo a Riotur. Também de acordo com o órgão, dos dez blocos com maior número de pessoas, sete foram da Zona Sul. Entre eles Favorita e Sargento Pimenta, que receberam, cada um, cerca de 500 mil foliões.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Bárbara Lopes