Eram os idos de 1850 quando a primeira cervejaria do Brasil, a Bohemia, foi fundada em Petrópolis. Desde então, a Região Serrana — com sua colonização alemã e fontes propícias à produção da bebida preferida dos brasileiros — se consolidou como um importante polo produtor. Entretanto, nos últimos anos, um fenômeno aconteceu: com o interesse, a cada dia maior, pelas cervejas artesanais, pequenos produtores surgiram por todo os lados. Incluindo estes e as grandes marcas, a Serra soma 31 produtores.
De acordo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, a Região Serrana responde por 29,5% das 102 cervejarias do estado. O setor é dos mais importantes: só de ICMS, o Rio de Janeiro arrecadou R$ 850 milhões no ano passado, aparecendo como a sexta maior atividade econômica do estado.
Diante do crescimento da atividade, em novembro de 2014 produtores da região se uniram para criar a Rota Cervejeira, que tem ambições altas: transformar o turismo voltado aos entusiastas pela bebida num modelo, a exemplo do que ocorre com as vinícolas da Serra Gaúcha. Apesar de não haver estatísticas oficiais sobre visitações, a iniciativa tem dado certo. O número de cervejarias no roteiro já chega a 15, e a expectativa é de que aumente ainda mais, diz Ana Cláudia Pampillòn, coordenadora da Rota Cervejeira.
— Estamos negociando a entrada de mais quatro associados. Todas essas cervejarias promovem, de alguma maneira, uma experiência cervejeira. Em outubro, fizemos uma parceria com uma operadora de turismo e colocamos (a Rota) como um produto — explica Ana Cláudia.
De olho nessa demanda — que gera recursos através do turismo e ajuda a divulgar as marcas — cervejarias preparam visitas às suas fábricas. É o caso da Buda Beer, comandada por Rolf D’ottenfels e Gustavo de Frontin Werneck. A dupla — que hoje preside a Rota — produz oito rótulos numa bela casa no centro histórico de Petrópolis, onde também funciona um bar. A pequena planta, que custou cerca de R$ 800 mil, foi inaugurada em junho de 2015, e produz hoje 13 mil litros mensais. Eles oferecem um tour de uma hora e meia nos fins de semana, que termina com uma degustação de quatro cervejas harmonizadas com petiscos, a R$ 50 por pessoa. O agendamento pode ser feito por meio do telefone (24) 2231-3219.
Segundo D’ottenfels, a principal missão da Rota é criar uma cultura cervejeira na região.
— O objetivo da Rota é colocar em evidência esse dom cervejeiro da Serra. Nossa meta é consolidar a região como o berço da cerveja no Brasil — explica.
Segundo um estudo encomendado pelo Instituto da Cerveja, as marcas artesanais representavam, em 2015, 0,7% da produção nacional, totalizando 9,7 milhões de litros. Com o boom, novas fábricas vêm surgindo, como a Brewpoint, que inaugurou sua planta, no Quitandinha, em dezembro. Com um investimento de R$ 1,6 milhão, hoje a microcervejaria produz 12 mil litros por mês. Além dos três rótulos da própria marca, ela abriga seis cervejeiros ciganos (os que produzem em fábricas de terceiros): Duzé, Imperatriz, da Corte, Serra Velha, Rustika e Saideira. Segundo José Renato Romão, dono da Brewpoint, a mudança no padrão de consumo do brasileiro não é modismo.
— Esse é o futuro da cerveja no Brasil. Não serão mais dez marcas enormes, mas sim 500 pequenas produzindo — projeta Romão, que abre as portas de seu galpão aos sábados para as visitas de turistas.
O tour custa R$ 10 por pessoa, e deve ser agendado na página da marca no Facebook. As grandes cervejarias da região também disponibilizam passeios para visitantes.
CIRCUITOS EXCLUSIVOS EM CADA CIDADE
De olho em conquistar um público fiel, a Rota Cervejeira trabalha com passeios exclusivos para os visitantes de cada um dos principais municípios da Região Serrana: Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Os roteiros, que podem ser feitos através de agências de turismo da região, juntam as diversas experiências cervejeiras oferecidas pelas marcas com visitas aos principais pontos turísticos de cada cidade. A TurisRio — agência estadual de turismo — vai incluir a Rota em seus materiais informativos.
Em Petrópolis, está no roteiro a fábrica da Bohemia, a mais antiga do país, que mantém um museu da cerveja com atrações interativas. O Grupo Petrópolis, que produz a Itaipava, também recebe visitantes. Entre as micros, há opções como a Cervejaria Real, de Itaipava, que dá as boas-vindas ao público num haras de puro-sangue transformado em fábrica. Na cidade também é possível visitar as linhas de produção de Brewpoint, Buda Beer. Ainda este ano, a Cidade Imperial deve inaugurar uma nova planta de produção, que terá um beer tour.
Já em Teresópolis, a Villa St Gallen — da Cervejaria Therezópolis — oferece diversas atrações para os aficionados pela cerveja. De quarta a sexta ainda tem música ao vivo para acompanhar as degustações. O Grupo Petrópolis também mantém uma fábrica na cidade. Em Friburgo, são as fábricas da Ranz, da Barão Beer e da Rock Valley que engrossam a lista da Rota Cervejeira.
No site da Rota Cervejeira (http://bit.ly/2n2VpRl) há informações sobre as agências de turismo que oferecem as beer experiences em cada uma das cidades, além de um breve perfil de cada uma das cervejarias e informações sobre os atrativos turísticos das cidades serranas.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Marcelo de Jesus / Agência O Globo