Pérola da Guanabara ganha Prêmio Serpentina de Ouro

Depois da festa das ruas, o Prêmio Serpentina de Ouro do GLOBO desfila pela sétima vez com os grandes destaques do carnaval de rua de 2017. E o Pérola da Guanabara é o grande homenageado desta edição do concurso. O bloco promoveu um dia inteiro de festa na ilha de Paquetá, porque atrai outros pequenos grupos que tocaram e fizeram todo mundo dançar pelas pacatas ruas da ilha no meio da Baía de Guanabara. A música e a brincadeira começavam nas barcas, que levaram mais de dez mil foliões para a ilha no dia do desfile.

Chico Nogueira, organizador do bloco, atribui o prêmio ao trabalho em forma de coletivo.

— Este ano a gente reuniu mais gente que ajudou a colocar o bloco na rua. Quanto mais coletivo é o processo de criação, mais talentos são aproveitados, e o resultado é sempre melhor. Além disso, também conversamos muito com os moradores de Paquetá.

HOMENAGEADOS DO PRÊMIO SERPENTINA DE OURO 2017

O cortejo do Pérola contou com diversas homenagens a personagens de Paquetá e da baía, como a naturista Luz Del Fuego, o maestro Anacleto de Medeiros e o famoso baobá, além dos dois mais tradicionais blocos do bairro: o Silêncio do amor e o unidos de São Roque, que apareciam nas fantasias dos pernas de pau e nos estandartes. O bloco ensinou que, depois da expulsão dos franceses, Estácio de Sá dividiu a ilha em duas partes que são hoje os sub-bairros de Campo e Ponte.

O Timoneiros da Viola é o homenageado do quesito música, que lava em conta o repertório, os arranjos e a banda e/ou bateria. Este ano o bloco reverenciou Heitor dos Prazeres, autor de Pierrot Apaixonado, e Paulinho da Viola cantou mais de uma hora. Ele abriu a apresentação em Madureira com Carinhoso, de Pixinguinha, que completa cem anos em 2017.

Vagner Fernandes, organizador do bloco, conta que Paulinho gravou um disco com o pai Cesar Farias, na década de 50, só com músicas do Heitor dos Prazeres. E antes do bloco, o compositor disse para ele: “hoje eu vou cantar”.

— Acho que foi um ano especial para o Timoneiros. Somos um bloco de resistência do carnaval do subúrbio, que já teve um carnaval tão bonito.

Timoneiros da Viola levou a categoria música do Serpentina de Ouro com Monarco (à direita) e Paulinho da Viola – Fernando Maia / Riotur – Divulgação
No quesito canção original, levou o Serpentina de Ouro o samba Ocupa a Lua, do Suvaco do Cristo, composto por Tomaz Miranda e Mellinho. O primeiro é o puxador e o segundo fundador do Simpatia É Quase Amor, bloco irmão do Suvaco. Tomaz, que é cantor e cavaquinista, foi convidado pelo Suvaco e fez o samba pelo WhastApp com Mellinho.

— Os dois blocos tem várias histórias juntas. E o prêmio é mais uma delas. Eu contribuo com o carnaval com o pouquinho que sei fazer. E tem várias pessoas anônimas que também merecem um prêmio por fazer esse lindo carnaval — ressalta Tomaz.

O bloco das piranhas, formado por 20 mulheres, ganhou o quesito fantasia. Na verdade, elas são um bloco dentro do bloco e vieram do já tradicional bloco das Trepadeiras. Com uma mensagem feminista, elas vieram vestidas de peixe e com uma placa: Atenção Banhistas: Cuidado! Área sujeita a ataques de Piranhas.

— Com essa coisa do empoderamento, do feminismo estar mais em voga, a mulherada está perdendo o medo do desbunde. Assim, juntamos 20 piranhas. Levamos mais de duas semanas tentando confeccionar a melhor fantasia. Com essas Piranhas, aprendi na escama o que é sororidade. Uma ajudou a outra para fazer o bloco.

O bloco das piranhas levou o Serpentina de Ouro na categoria fantasia – Arquivo pessoal
Os premiados foram escolhidos pela equipe de repórteres do GLOBO que participou da cobertura do carnaval de rua. Somente os blocos oficiais participam do concurso.

A fantasia Pé do Espanto, que é uma crítica aos problemas do governo do Estado do Rio, foi a mais votada no site e venceu o concurso de fantasia de grupo. Esta é a terceira vez que o grupo de professores ganha o concurso. As outras vezes foram em 2016, com a fantasia Wally Bus (uma crítica às mudanças nas linhas de ônibus), e em 2013 com as viúvas dos royalties do petróleo (sobre a perda de receita do estado).

— A gente faz sempre a fantasia na véspera do carnaval para pegar as notícias atuais. Esse ano, tínhamos muitos temas por causa da crise no estado, então decidimos juntar tudo na mesma fantasia — conta o professor Fabiano Magdaleno, que atendeu a vários pedidos de fotos durante a apresentação do Boitatá, na Praça XV.

Fonte: O Globo
Postado: Raul Motta Junior
Foto: Ivanildo Carmo/ Divulgação