Pardais da CET-Rio estão sob direção polêmica

No início deste ano, dias depois de deixar a Perkons S/A, que fornece pardais e lombadas eletrônicas para o município desde 2004, o geógrafo André Luiz Pacheco Ormond foi nomeado diretor da CET-Rio. A relação dele com a companhia de tráfego do município é antiga. Ormond era o representante da empresa dentro do órgão da prefeitura de 2012 até janeiro deste ano. Atendendo a uma exigência contratual, era ele quem monitorava o funcionamento dos equipamentos fornecidos à prefeitura.

Ormond gerava relatórios sobre o desempenho dos radares e lombadas e avaliava se estavam contribuindo para reduzir o número de acidentes na cidade. Em janeiro, ele se desligou da empresa. E, em seguida, assumiu a diretoria da CET-Rio que define a localização dos pardais, incluindo os que sua antiga firma mantém em operação.

O decreto do prefeito Marcelo Crivella com a nomeação do geógrafo foi publicado nesta terça-feira no Diário Oficial, mas com data retroativa a 9 de janeiro. A escolha de Ormond causou surpresa entre servidores da CET-Rio. De acordo com fontes da prefeitura, há pelo menos 12 anos o cargo, considerado estratégico, era ocupado por funcionários de carreira. Sob a supervisão do novo diretor, ficarão os 1.034 pontos com fiscalização remota, como lombadas eletrônicas e equipamentos que controlam excesso de velocidade e invasão de corredores de BRTs e BRS. Como os aparelhos são remanejados num sistema de rodízio, os motoristas não sabem exatamente onde estão ativos.

Há pelo menos seis contratos em vigor para monitoramento do trânsito, segundo levantamento feito pelo GLOBO no site Rio Transparente. Ao todo, as empresas fornecem cerca de 500 equipamentos. Desses, pelo menos 60 estão desligados desde o fim do ano passado. A Perkons está vinculada a três contratos, com mais de cem equipamentos. Em dois contratos, ela aparece como fornecedora exclusiva. Num terceiro, a empresa está associada a outra companhia especializada.

— No mínimo, a escolha de um ex-funcionário de empresa de radares fere o princípio da moralidade que deve reger a administração pública. Hoje, já existem muitos questionamentos sobre localização de equipamentos eletrônicos na cidade e uma grande discussão se o principal objetivo deles é educar o motorista ou simplesmente arrecadar. Escolher alguém que foi vinculado a um fornecedor em nada ajuda nessa discussão — disse o advogado Armando de Souza, presidente da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio (OAB-RJ).

O vereador Fernando William (PDT) criticou a nomeação:

— Já encaminhei um requerimento de informações ao prefeito. Se confirmada essa associação, vou defender que ele seja demitido.

O GLOBO tentou uma entrevista com André Ormond, mas sem êxito. A Perkons também não respondeu. Em nota, a CET-Rio destacou o currículo do novo diretor. A companhia afirmou que ele tem cursos na área de tráfego e urbanismo, entre eles o de Formação Internacional em Auditoria em Segurança Viária da New Castle University, na Inglaterra, feito em 2014. A CET-Rio diz que ele também é especialista em sistemas de informação, banco de dados, análise de tráfego, segurança, circulação e impacto viário, contando com experiência em pesquisa acadêmica e em projetos desenvolvidos para órgãos públicos e empresas privadas desde 2003.

“Em vista dos esclarecimentos sobre a qualificação e histórico profissional, fica claro não haver qualquer conflito de interesse, e comprovada aptidão na atuação de André Ormond como diretor da CET-Rio”, informou a empresa.

ADMINISTRADOR EXONERADO

Nesta terça-feira, a equipe de Crivella sofreu mais uma baixa. O novo administrador regional de Copacabana, Elias Sant Anna Gomides Filho, foi demitido do cargo. A decisão foi tomada após o GLOBO questionar a prefeitura sobre o fato de ele ter antecedentes criminais. Em sua ficha, há quatro anotações por tráfico e associação ao tráfico; uso de entorpecentes; porte ilegal de arma; lesão corporal leve e ameaça. Nomeado em 12 de janeiro, com data retroativa ao dia 1º do mês passado, Sant Anna, segundo a prefeitura, não se enquadra no critério de Crivella de só nomear “ficha limpa”.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Analice Paron / Agência O Globo