Gavião e vira-lata formam dupla no combate a urubus que sobrevoam zoológico

O jardim zoológico do Rio agora conta com o trabalho de uma dupla animal: Rubi, um gavião-asa-de-telha fêmea de três meses de idade, e Bela, uma cadela vira-lata de dois anos, dividem a missão de espantar urubus que rondam os viveiros, como informou ontem Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Os bichos são sempre vistos com o treinador Leandro Mautone, e costumam dar início às suas atividades no gramado dos cervos.

Em alguns momentos, o número de urubus rondando o lugar chega a duas dezenas. Esse tipo de pássaro é conhecido por se alimentar de carne em decomposição, mas sua presença ali tem outra razão. O que atrai as aves, na verdade, é a tranquilidade daquele ponto da Quinta da Boa Vista. Naquele local, há um lago, e esses bichos não são incomodados.

Ou melhor, não eram. Agora, Rubi e Bela têm afugentado os urubus. Mas vale ressaltar que o gavião fêmea não recebeu treinamentos para atacar, mas, sim, para realizar “sobrevoos responsáveis”, nas palavras de Mautone.

— Rubi e Bela se dão muito bem. Elas são amigas e mantêm uma verdadeira parceria. Mas nosso trabalho vai além de afugentar os urubus — diz o treinador, de 34 anos.

O zoológico carioca é o primeiro no Brasil a ter uma falcoaria especializada em aves para controle de pragas, reabilitação de animais nascidos em cativeiro e educação ambiental. O setor, criado há dois meses, é fruto de uma parceria entre uma empresa privada de manejo de fauna e flora e o Grupo Cataratas. Hoje sete pássaros integram o projeto, focado em aves de rapina típicas do país como a coruja-das-torres, o corujão-orelhudo e o próprio gavião-asa-de-telha.

Quando usadas no controle de populações, as aves são responsáveis pelo abatimento de animais indesejados, como os pombos. Aqui, no Rio, esse serviço é utilizado nos aeroportos Galeão-Tom Jobim e Santos Dumont. Além disso, a falcoaria ensina falcões, águias e gaviões nascidos em cativeiro a caçar, investir contra predadores e se proteger. O intuito é que estejam preparados para serem soltos em seu habitat natural. E há ainda o trabalho de educação ambiental, que consiste em colocar as aves de rapina em contato com pessoas: o objetivo é despertar o interesse em preservá-las.

Mautone mostra total entrosamento com a dupla animal. Ele é visto com o gavião na mão esquerda, pousado na luva de couro exigida para o manejo, e a cadelinha presa por uma guia que segura com a direita. A cadela veio de Foz do Iguaçu, no Paraná, e se diverte na perseguição aos urubus. Já a ave nasceu num criadouro do Rio. O mais comum nas atividades das duas é que Bela vá na frente, assustando os urubus, e Rubi chegue logo depois.

O falcoeiro do RioZoo se especializou com um mestre de Florença, na Itália. Ele trabalhou em diferentes parques do país e voltou ao Brasil há dois meses, quando iniciou o trabalho na Quinta da Boa Vista. Se depender dele, os urubus não terão vida fácil:

— Sou falcoeiro 24 horas por dia, não tem como não se afeiçoar a essas aves. É um estilo de vida.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Reprodução / O Globo