Um ícone do Rio de Janeiro ganha uma biografia que estará nas livrarias a partir do dia 3 de fevereiro. “Ó, o Globo! – A história de um biscoito” conta a história e os segredos da iguaria que tem um espaço cativo no coração e paladar dos cariocas.
A biografia escrita por Ana Beatriz Manier conta a trajetória da família criadora do biscoito, fatos desconhecidos sobre a fabricação e até o segredo de sua crocância.
O sabor do Globo veio à boca da escritora quando terminou um curso de biografia, ministrado por Ruy Castro na Estação das Letras, e quis se aventurar pelo ramo.
-Quando terminamos as aulas ele recaptulou o curso e disse que, para escolhermos alguém para biografar temos de ter um laço afetivo, despertar algum sentimento, mesmo que não conheça a pessoa, por exemplo. Nessa hora eu me vi sentada nas barcas, aos 6 anos, indo de Niterói para o Rio, comendo o biscoito Globo – disse Ana Beatriz.
Na biografia, a escritora retoma a chegada dos emigrantes Ponce e Morales, vindos da Espanha para São Paulo e em 1953 começaram a produzir a iguaria, que só depois de dois anos veio aportar em solo carioca.
– Foram os ambulantes que vieram para o Rio com o biscoito, atraídos por um grande evento religioso. Quando perceberam a extensão da praia, viram que podiam ter um mercado bom. Eles já vendiam no litoral de São Paulo e deram a ideia para trazer para cá – explicou a biógrafa sobre a vinda do biscoito para o Rio.
– Quando os ambulantes voltaram para a empresa animados, eles falaram que o carioca não era como paulista, que gosta de comer na praia. O carioca gosta de beliscar, era mais descontraído, queria comer qualquer coisa. A aceitação foi grande.
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Mesmo reservada, a família Ponce abriu o baú de memórias e a fábrica para Ana Beatriz, que conseguiu em cerca de 200 páginas contar a história do biscoito, que ganhou o nome de Globo no Rio, quando começou a ser fabricado em uma padaria de mesmo nome, em Botafogo.
– O bonequinho do Globo (de classificação de filmes) do cinema do jornal O Globo foi usado como mascote no pacote – detalhou Ana Beatriz.
Para a biógrafa, vários fatores contribuiram para o sucesso do biscoito, primeiro entre cariocas, e a partir da década de 1990 em outros lugares do País, mas o principal deles é a dedicação de todos os membros da família Ponce até hoje para com o biscoito.
-É uma história tão simples, um negócio simples. Mas feito com cuidado e determinação invejáveis. O senhor Milton Pontes sempre esteve à frente e está até hoje. Eles têm um tino comercial e domínio do que fazem – afirmou a escritora.
Em agosto do ano passado, quando o jornal americano “New York Times” publicou uma avaliação da culinária carioca e classificou o biscoito como “sem gosto”, a popularidade da iguaria ficou ainda mais popular fora do estado.
– O livro já estava pronto. Peguei de volta e fiz um capítulo inteiro sobre isso. Recentemente, dois jovens resolveram fazer, por conta própria, a distribuição do biscoito, que não têm distribuição. Eles colocaram em uma página do Facebook. Até o episódio eles tinham 500 curtidas. Em uma semana ganharam 12 mil – contou Ana Beatriz.
O livro será lançado pela Editora Valentina no próximo dia 3 na Livraria Travessa, do Leblon, a partir das 18h. A editora separou algumas curiosidades sobre o biscoito:
– os saquinhos do biscoito Globo são feitos de papel vegetal com uma película perolizada por dentro, para que a gordura seja absorvida e os biscoitos não percam a crocância em contato com o sol.
– a receita é simples – polvilho, gordura, leite e ovos – e permanece praticamente a mesma desde o início de sua produção, ainda em São Paulo. O que se faz hoje são adequações ditadas pela qualidade do polvilho: um pouco mais de gordura, de leite, de sal ou de açúcar.
– ss funcionários levam, em média, oito segundos para colocar nove rosquinhas dentro do saquinho de papel e dar aquela dobradinha nas laterais.
– 70% das vendas são de biscoito salgado e 30% de doce.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: O Globo