Ícone da noite, Hippopotamus reabrirá em Ipanema em março

Uma coluna social contava a fofoca, no fim de outubro de 1977. Na inauguração do Hippopotamus, boate na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, um jovem rapaz por volta de seus 20 anos acabou se fazendo convidar para a festa com a história de que seria filho do rei Pelé. Diante de tal “paternidade”, passou pela porta do seletíssimo nightclub e acabou eleito o penetra do ano pelo colunista Carlos Swann, do GLOBO. Quarenta anos depois, o Hippo vai reabrir — após 15 anos fechado —, logo depois do carnaval, na mesma praça. As obras estão na fase de acabamento. A arquitetura traz novidades, como terraço e elevador. Mas o esquema de funcionamento será o mesmo do passado.

UM LUGAR PARA SE DIVERTIR

Apenas sócios — escolhidos pelo trio Ricardo Amaral, o filho Rick Amaral e Omar Catito Peres — e amigos dos sócios terão entrada liberada nesse clube privé. A não ser que surja um novo filho de Pelé…

— Aparecia muita gente na porta dizendo que era meu filho — diverte-se o empresário Ricardo Amaral, que chamou Catito (dono da Fiorentina e do Bar Lagoa) para a empreitada.

Catito, que era assíduo frequentador, tendo fechado a boate no seu aniversário de 40 anos para 500 convidados (isso no fim dos anos de 1990), embarcou na ideia. Os dois estão investindo R$ 6 milhões na reforma. A boate, que antes tinha dois andares — o lounge com a pista de dança no térreo e o restaurante em cima —, terá agora um terceiro andar aberto, para “quem quiser fumar um charuto”, avisa Catito.

— Decidi entrar porque é um lugar que fala à alma do carioca. Só invisto em ícones — diz ele, para quem, em época de crise, as pessoas querem ainda mais “um momento de alegria”.

O dono da carteirinha 001, que já foi da musa Kiki Garavaglia, será o ex-diretor de TV Boni. Catito conta que há uma lista com cinco mil nomes para entrar no clube, sendo que serão somente três mil sócios. Eles pagarão R$ 6 mil por ano, com direito a levar quem quiser, além de outros luxos.

— Teremos mulheres e homens, casados e solteiros, de 35 anos até a idade do Amaral — ri Catito. — São pessoas bem sucedidas, que gostam de se divertir.

UNIÃO DE RICOS E FAMOSOS

O Hippo, que apagou as luzes da sua concorrida pista de dança em 2002, foi a boate que por mais tempo sobreviveu no Rio. Foi também a que reuniu o maior número de astros. Paul McCartney, Frank Sinatra, Robert de Niro, Ursula Andress, Marcello Mastroianni, Michael Caine e Demi Moore são algumas estrelas internacionais que se acabaram no clube noturno.

Pelé estava sempre lá. Também batiam ponto o bicheiro Castor de Andrade, o político baiano Antônio Carlos Magalhães, a modelo Luiza Brunet, a travesti Bruna Jordan, Cazuza e Nelson Motta. Danuza Leão foi uma das promoters.

— Lembro que estava com uma namorada e entrou Roberto Carlos, ao lado de Myrian Rios. Minha namorada: “acho que vou desmaiar”. No fim, terminamos todos na mesma mesa — conta Catito.

O decorador Edgar Moura Brasil, casado com Gilberto Braga, estava sempre lá:

— Todo mundo era conhecido, e toda noite terminava lá. Ia jantar e depois descia para a boate. Uma vez, vi garrafada de bêbado, um jogando na cabeça do outro.

No livro “Enquanto houver champanhe, há esperança: uma biografia de Zózimo Barrozo do Amaral”, Joaquim Ferreira dos Santos conta que a decoração do Hippo, de Gilles Jacquard, “juntava modernidades e toques naturais inéditos”. No térreo, havia um jardim tropical separado por uma divisória de blindex, na qual escorria água. Para Zózimo, um truque que transmitia “a impressão de que está chovendo”. Resumindo: o cliente considerava perdida a praia do dia seguinte e mandava descer mais uma garrafa.

— O que eu tenho de afilhado por causa do Hippo… Eu me sinto o cupido da cidade — conclui Amaral

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação / Divulgação