Especialistas: ‘grades no Porto devem ser usadas só em eventos’

Enquanto a Marinha mantém as grades à beira-mar na Orla Conde, especialistas em segurança e gerenciamento de risco afirmam que as estruturas são provisórias e que só deveriam ser usadas em eventos que reúnam grandes aglomerações. Um gradil semelhante foi instalado durante os Jogos Olímpicos. Nos dias mais movimentos, o local chegou a receber mais de um milhão de visitantes.

— Na Olimpíada, a proteção física foi necessária, porque não daria tempo de uma pessoa chegar e fazer a advertência. Qualquer coisa que acontecer, brigas, corre-corre, uma pessoa que passa mal, a multidão se espalha, podendo provocar a queda de alguém no mar. Se tiver a densidade de todo dia, a simples presença de guarda municipais, atuando como fazem os seguranças do metrô, alinhando as pessoas atrás da faixa amarela e fazendo advertências, já é suficiente. Mas, se houver o que aconteceu no boulevard olímpico, é prudente que tenha uma proteção — opinou Duarte.

‘CIDADE MURADA’

Especialista em gerenciamento de risco, o professor Gustavo Cunha Mello ressalta que, em dias sem grande fluxo de pessoas, os riscos de problemas com quedas no mar é baixo:

— Há riscos, mas é muito baixo. As grades só fariam sentido num grande evento, com grande aglomeração de pessoas, como blocos de carnaval, shows, maratonas. Problemas isolados podem acontecer em qualquer lugar, na rua, atravessando à frente do VLT. Mas não faz sentido mudar toda a estética do lugar se não for necessário. Se for gradear todos os riscos, teríamos então que viver numa cidade toda murada.

MARINHA VÊ PERIGO

As grades foram instaladas entre as praças Quinze e Mauá, causando indignação entre frequentadores da Zona Portuária. O uso do espaço é respaldado por um acordo firmado entre a prefeitura do Rio e o comando do 1º Distrito Naval. O documento prevê que uma área de cerca de 42 mil metros quadrados seria cedida para construção de um passeio público que se tornaria “bem de uso comum do povo, em caráter irrevogável”. O comando da Marinha considera perigoso não haver nenhuma proteção, embora todo o projeto urbanístico do Porto Maravilha tenha sido elaborado sem grades.

‘As grades só fariam sentido num grande evento, com grande aglomeração, como blocos de carnaval, shows, maratonas’
– GUSTAVO CUNHA MELLO
Professor e especialista em gerenciamento de risco
O arquiteto e urbanista Paulo Dalle, especializado em engenharia de segurança, destaca, no entanto, que uma sinalização no chão pode ser interessante para prevenir acidentes no local, auxiliando, inclusive, as pessoas com deficiência visual:

— Deveria ter, no mínimo, uma sinalização de solo para deficientes visuais. Isso não atrapalha a paisagem urbana, mas dá um recado, passa a mensagem. A grade que está hoje é uma bobagem. São provisórias, para situações temporárias. Esse assunto precisa ser estudado com mais atenção e aprofundado. A solução precisa ser tanto para a segurança quanto para a paisagem urbana.

O engenheiro Gerardo Portela da Ponte Junior, especializado em gerenciamento de riscos e segurança, também afirmou que deve haver uma proteção no local para evitar quedas de pessoas e animais.

— Com certeza, não há necessidade de ser especificamente uma grade. Existem outras formas que permitem uma melhor harmonia arquitetônica, como, por exemplo, canteiros de plantas, degraus, desníveis, valas, vidros de alta resistência. Não faltarão opções melhores do que as grades.

O prefeito eleito, Marcelo Crivella, disse nesta quinta-feira, por meio de nota, que, quando assumir, pretende negociar com a Marinha a retirada de todas as grades do boulevard.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior