Tombado como patrimônio histórico há uma década, o chafariz do Largo do Machado revela mais que o reflexo da Igreja de Nossa Senhora da Glória em seu espelho d’água. Mesmo sob a guarda da estátua de outra santa, Nossa Senhora da Conceição, ele evidencia o desrespeito daqueles que o utilizam como um grande depósito de lixo. Naquela água frequentemente turva e esverdeada, é possível encontrar embalagens de lanches, caixas de remédio, guimbas de cigarro e até roupas.
A aposentada Joselina Ferreira, que se mudou para o bairro em 1998, lamenta o cenário.
— Quando cheguei aqui era limpo, completamente diferente. As pessoas estão cada vez mais sem educação, jogam lixo sem culpa. E muitos moradores de rua usam o chafariz para tomar banho e lavar roupa. Um lugar tão bonito era para estar bem cuidado — frisa.
O uso do patrimônio público como lavanderia também é uma queixa dos aposentados Serafin Basante e Manuel Eiroa, que defendem a revitalização do espaço.
— De vez em quando, a prefeitura tira a água do chafariz, acho que pelo risco do mosquito. Mas não há limpeza. E falta banheiros. Na Europa, as praças sempre têm banheiros e canteiro de flores — compara Eiroa.
Segundo Michele Gomes, funcionária de um quiosque de plantas em frente ao monumento, agentes municipais, de tempos em tempos, retiram folhas e resíduos da água com o auxílio de uma peneira, mas a sujeira se renova em pouco tempo.
— O pessoal se senta ali para comer, deixa cair copo e não está nem aí. Deveria ter uma vigilância de plantão para preservar o chafariz a quem quer apreciá-lo — diz.
A Secretaria de Conservação e Serviços Públicos informa que equipes da Gerência de Monumentos e Chafarizes visitam três vezes por semana o chafariz para limpar o espelho d’água e remover o lixo. E declara que uma equipe será enviada ao local para recolher os detritos acumulados no último fim de semana.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior