Livrarias da Zona Sul atraem crianças com oficinas manuais

Desenho, pintura, colagem, massinha e um mundo de possibilidades. O cenário, comum nos primeiros anos escolares, vem ganhando forma também em espaços reservados nas livrarias. Educar pelo método da brincadeira é a aposta de Isabel Diegues, Priscila Lopes, Márcia Fortes e Mini Kerti ao promoverem oficinas infantis, com ações propostas no próprio livro lançado por elas, este mês, pela editora Cobogó: “Arte brasileira para crianças”. Ele reúne cem artistas contemporâneos e uma obra de cada para inspirar os pequenos a fazerem releituras das artes apresentadas.

“Oficineiros” estarão a postos para orientá-los no manuseio de tecidos, fitas, isopor e papéis, entre outros utensílios, nas seguintes Travessas da região: Ipanema, neste domingo, às 11h; BarraShopping, no dia 27, às 17h; e Shopping Leblon, 11 de dezembro, às 16h.

O livro tem um texto inicial que explica seu modo de uso e os materiais necessários à criação. Entre os artistas selecionados na obra estão Adriana Varejão (e seus azulejos portugueses), Caetano de Almeida (e sua tela pintada com poluição), Cildo Meireles (e seu “Desvio para o vermelho”) e Chelpa Ferro (e seu circuito sonoro).

— Essencialmente, o livro faz um apanhado do que é a arte brasileira no século XXI e, em vez de ensinar isso de maneira didática, formal e obrigatória, como em algumas escolas, o faz brincando; aproxima as crianças do fazer artístico, do conceito daquele autor no momento em que criou determinada obra. A arte contemporânea, muitas vezes, parece ter um aspecto automático, intuitivo e, na verdade, tem todo um pensamento por trás. As oficinas são um convite à experimentação — diz Isabel.

Outras atividades propostas, como pintar um banheiro, buscar peças em ferro-velho, montar uma instalação com ovos ou uma escultura com comida, por questões de “ordem” e logística, ficarão de fora, mas o espaço na livraria ainda permite uma série de criações.

Tatiana Kauss, autora de “Caderno de Tereza” – Divulgação
“Caderno de Tereza”, da editora Motirô, é o primeiro livro infantil de Tatiana Kauss, moradora do Leblon. A história da menina que protagoniza o livro — inicialmente, um tanto avessa ao mundo virtual — é narrada pelo seu diário. Mesmo depois de se render às redes sociais, instigada por amigos, ela não abandona o caderno particular, mas lhe confere um novo significado. O acesso das crianças à tecnologia em equilíbrio com os meios tradicionais analógicos surge nas entrelinhas propostas pela autora. Uma de suas artes preferidas, a encadernação, foi a escolhida para uma oficina com crianças neste domingo, às 17h, na Livraria Argumento Leblon, uma hora após o lançamento do livro. Ao final da aula, ministrada por Monica Iriarte, cada criança levará de presente o moleskine produzido, podendo customizá-lo em suas cores, formas de fechamento e visual de capa, ornamentada com adesivos.

— Tenho dois meninos que são bastante tecnológicos. E eu me interesso muito por atividades manuais. Na minha época, só tinha os diários. Vejo que meus filhos continuam tendo a possibilidade de ter o diário e o computador como instrumentos de trabalho, de criação. O mais velho faz coisas digitais incríveis e acho muito criativo, mas ter o lúdico é importante para exercitar a imaginação de forma mais livre. Em casa, eu proponho a eles brincar com carimbo e colagem, como na oficina. As crianças podem criar seus livros secretos ou o que imaginarem — sugere Tatiana.

Outra obra sua, ainda sem previsão de lançamento, também segue a proposta de interatividade.

— “O lápis e o menino” é bem forma e conteúdo. Já idealizei a encadernação em forma de pastinha. A ideia é que as crianças, depois de ilustrarem o livro, possam guardar os seus desenhos. O lápis conta que conheceu a mão do menino ainda pequeno e que, conforme ele cresce, vai deixando de desenhar, e deixa saudade — conta a escritora.

Serviço:

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Dia 20 — Livraria da Travessa Ipanema (Cobogó), às 11h .

Livraria Argumento Leblon (Motirô), às 17h.

Grátis

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Ana Branco/ Agência O Globo