Morador da Tijuca cria em casa clube para fãs de futebol de botão

Espécie de clube para fãs, o Futebol de Botão na Praça (FBP) foi criado em 2014 na Tijuca para divulgar e promover a prática da modalidade. Tudo começou por causa da paixão do investidor imobiliário Leandro Freire, morador do bairro há seis anos, durante um descontraído bate-papo em um aniversário.

— Sempre teve botão na minha casa. E um tio jogava muito com meu irmão mais velho. Comecei a brincar com eles ainda criança, no início dos anos 1980, e nunca mais parei — recorda Freire, mais conhecido pelo apelido de Galalite (um material usado na fabricação de botões na década de 1960).

Há dois anos, ele apareceu na festa de um sobrinho usando uma camisa que ele mesmo produziu, com fotos dos botões que tinha em casa.

— Um convidado, Fabio Memoria, me perguntou sobre a estampa e expliquei o que era. Então, marcamos um jogo para o dia seguinte, na Praça Afonso Pena, e nos tornamos amigos. Assim nasceu o clube — conta.

O encontro resultou na criação de grupos de Facebook (atualmente com cerca de 1.200 membros) e de WhatsApp. Em seguida, a dupla começou a organizar campeonatos em diversas praças da cidade. Além disso, Freire montou na própria casa a sede do clube. O espaço funciona ainda como uma oficina de fabricação de peças relacionadas ao esporte.

— Todo dia faço botões. Fabrico também mesas e goleiros. Só não estou produzindo muitas balizas, pois são baratas e não estragam facilmente. Tenho três tornos mecânicos, que eu mesmo opero — diz Freire.

Ele diz que a atividade não tem fins lucrativos.

— É tudo hobby. E ultimamente, com o mercado imobiliário meio parado, estou tendo ainda mais tempo para me dedicar aos botões. Fico aqui igual criança — diz ele, que faz trocas e encomendas. — Mas cobro baratinho. E quando fizemos uma camisa personalizada, para enfrentar um clube de botão da Praça São Salvador, em Botafogo, dividimos o preço.

Ao todo, o FBP tem um acervo com duas mil peças (são 200 times, compostos de dez objetos cada, pois os goleiros não estão incluídos). Desse montante, o investidor imobiliário guarda com carinho duas caixas com cerca de 80 equipes (todos os botões foram adquiridos na infância), além de algumas peças que se destacam na coleção.

— Sou vascaíno, mas gosto muito de jogar nos torneios com os botões do Rayo Vallecano (clube da segunda divisão do Campeonato Espanhol) e do Politheama (time de pelada do cantor Chico Buarque). Também uso os botões da Universidade do Chile, fabricados em estilo profissional — destaca o fundador do FBP, que tem ainda uma predileção pelos botões do Real Madrid, da Espanha, feitos de fichas de pôquer dos anos 1970.

Para tentar passar a paixão adiante, Freire e os amigos resolveram visitar colégios, apresentando a arte do futebol de botão às crianças.

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— A ideia é divulgar a modalidade. Levo os botões e as mesas e jogo com os alunos. Fizemos isso também em escolas municipais e em comunidades. Além disso, este ano fomos ao Festival de Cinema de Futebol (Cinefoot) e nos apresentamos com duas mesas de futebol de botão — relata Freire.

Neste sábado e na próxima terça, o FBP estará na Praça Afonso Pena, das 9h às 13h, para mais uma série de disputas.

— Quem quiser aparecer para jogar, está convidado. Não paga nada. Faremos o campeonato, mas sempre levo botões para emprestar e deixo uma mesa disponível para quem quiser praticar e conhecer o esporte — convida.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior