Após seis anos de obras, período em que viram os clientes evaporarem devido aos transtornos para circular pela Avenida Armando Lombardi, os comerciantes com estabelecimentos próximos à estação de metrô Jardim Oceânico e do Lote Zero do BRT Transoeste, na Barra, começam a ver luz no fim do túnel. Como esperavam aqueles que conseguiram resistir a tamanha dificuldade, o movimento vem sendo retomado, e um novo público tem sido atraído para a região.
O empresário Ettore Sinicalschi, dono do restaurante que leva seu nome, no Condado de Cascais, explica que o faturamento ainda não é o esperado, mas diz que o fim das obras e as novas opções de transporte já fazem com que receba novos clientes.
— Todos os dias vemos pessoas que não víamos antes. Alguns dizem que vieram de metrô. Também voltamos a receber clientes antigos, que tinham deixado de frequentar a casa por causa da bagunça que a obra deixava — afirma.
A comerciante Jovanete dos Santos, a Dona Jô, tem o restaurante Grife do Sabor há sete anos no shopping Barra Point. Diz que não sentiu a dificuldade dos vizinhos porque foi uma das fornecedoras de alimentos para os trabalhadores da obra do metrô. Concluído o trabalho, seu faturamento caiu, mas logo voltou ao patarmar anterior.
— Estou panfletando no metrô e no BRT. Já consegui novos clientes, e o movimento foi retomado — explica.
Embora note uma procura um pouco maior por salas e lojas, a administração do Barra Point informa que esperava mais movimento, e acredita que a crise econômica tenha inibido investimentos. A expectativa, porém, é que o movimento aumente progressivamente.
O engenheiro Fernando José Faria decidiu mudar de profissão e vai abrir uma pastelaria em sociedade com a mulher, Marly Perez. Por indicação do seu dentista, cujo consultório é no Condado de Cascais, escolheu um ponto no local.
— O ponto de ônibus que é interligado com o metrô e o BRT fica em frente à loja que escolhemos. Hoje vejo que o movimento ainda não é o ideal, mas, com o verão e a divulgação dos novos meios de transportes, isso vai ficar muito bom até fevereiro — prevê.
O valor do aluguel, ainda barato se comparado ao de outros endereços da Barra, foi outro atrativo para Faria. Segundo o corretor de imóveis Miguel Parlon, que costuma atuar ali, uma sala de cem mil metros quadrados custa, em média, R$ 4.500 por mês.
Durante os seis anos de obra, diz o corretor, houve grande rotatividade no local. Mas, só no último mês, revela, já alugou duas salas e uma loja, usando como motes o fim das obras e a chegada do metrô.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior