A luta pelos direitos das mulheres exposta por meio da arte. Esse é o objetivo do ciclo de atividades que ocupa o Midrash Centro Cultural, no Leblon, até o dia 7 de novembro e que terá a participação da farmacêutica Maria da Penha, cuja luta para que um ex-companheiro agressor fosse punido inspirou a criação da lei homônima de proteção às mulheres.
— A cada bimestre procuramos trazer questões de relevância da sociedade para serem discutidas em ciclos no Midrash. A luta das mulheres é algo que está em destaque no mundo todo, então resolvemos abordá-la de uma forma artística. O fato de o centro ficar numa região de sinagogas, com muitos moradores conservadores, torna esse evento ainda mais importante. Queremos levar a discussão do feminismo para outras esferas — explica Lilian Maia, uma das responsáveis pelo centro cultural.
Uma das principais ações é a intervenção “Mulheres nas ruas”, em que cinco grafiteiras saíram do seu ambiente cotidiano de expressão, as paredes da cidade, para expor as suas obras nas paredes do próprio centro cultural. As escolhidas foram as artistas Rita Wainer, Criola, Rafa Mon, Camila Camiz e Vanessa Rosa, que, com trajetórias distintas, têm em comum o desafio diário de atuar como grafiteiras nas ruas.
— O grafite ainda é um segmento muito hostil para as mulheres. Enfrentamos o risco do assédio simplesmente por estarmos trabalhando na rua. Além disso, os próprios grafiteiros são, em sua maioria, muito machistas — afirma Rafa.
A mostra tem curadoria do produtor Pagu, da Agência Rua, e é gratuita. Já quem passar pela calçada em frente ao centro cultural poderá conferir a qualquer hora um mural feito por Rita especialmente para o evento. O desenho retrata uma mulher segurando uma espada com a frase “respeita as mina”.
No dia 20, a partir das 20h, a antropóloga Houda Blum Bakour, professora do Setor de Estudos Árabes da UFRJ, faz uma apresentação gratuita sobre a identidade feminina nas sociedades médio orientais.
Já no dia 31, a partir das 20h, haverá um bate-papo sobre violência contra a mulher, também gratuito, com a presença de Maria da Penha.
O ciclo termina dia 7, com uma apresentação, a partir das 20h, do psiquiatra e psicanalista Joel Birman sobre a cartografia do feminino. Ele abordará o percurso da psicanálise freudiana — desde as primeiras proposições até as reformulações feitas após os anos 1920 —, tendo como ponto de partida a figura de Carmen, da ópera de Bizet, enquanto encarnação dos atributos do feminino. O ingresso custa R$ 40.
SERVIÇO
A mostra pode ser vista de segunda a quinta-feira, das 14h às 22h. Rua General Venâncio Flores 182, Leblon. Tel.: 2239-1800. Grátis.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior