Concurso de canteiros quer resgatar vocação paisagística do Grajaú

Durante muito tempo, ele ficou conhecido como o “bairro jardim” devido à grande quantidade de canteiros existentes. Com o passar dos anos, porém, por causa da falta de manutenção de muitos deles, o apelido foi se perdendo. Para tentar recuperá-los, a Associação de Moradores do Grajaú (Amgra) decidiu promover um concurso para eleger o mais bonito da região. Mais do que premiar um ganhador, a ideia é conscientizar os habitantes da importância de preservar o verde do bairro.

De acordo com o presidente da Amgra, Lupércio Teles Ramos, 20 canteiros estão inscritos. Mas a associação espera mais participantes, já que o prazo termina no próximo dia 5.

— É para incentivar as pessoas a cuidarem de seus canteiros. Hoje muitos estão abandonados. Quando um canteiro e uma rua estão conservados, as pessoas tendem a não jogar lixo — acredita Ramos.

Casas, condomínios e colégios podem participar do concurso. O critério é deixar o canteiro com a melhor aparência possível, usando arbustos e plantas rasteiras com equilíbrio harmônico entre mudas e cores. Além de criatividade paisagística.

— Quem vai fazer o plantio são os alunos. Unimos a vontade de preservar o canteiro com educação ambiental — diz Alexandre Gama, diretor da Escola Modelo, que se inscreveu.

Vencedor levará kit jardinagem

Assim que se encerrarem as inscrições, os canteiros serão fotografados; e as imagens, publicadas na página da Amgra. A votação ficará aberta no www.facebook.com/amgra.rio/ de 15 a 20 de outubro.

Da escolha pública pelos canteiros mais bonitos sairão os cinco mais votados. Eles serão avaliados entre os dias 21 e 25 de outubro por uma comissão formada por arquitetos, paisagistas, funcionários da prefeitura e jornalistas. Os três primeiros colocados serão anunciados na página da associação. A premiação será dia 30.

O responsável pelo canteiro vencedor vai ganhar um kit de ferramentas e acessórios de jardinagem, além de lâmpadas de led para iluminar o local. Os demais levarão mudas de plantas.

Aos 87 anos, o professor Francisco Ferreira da Silva lembra com saudade do tempo em que o bairro honrava o apelido de “jardim”.

— Moro aqui desde 1965. Nesse tempo, as pessoas tinham um cuidado especial com as fachadas das casas e com seus espaços verdes. Não havia muitos edifícios. Era um bairro tranquilo. Podia-se sair à noite e as pessoas eram mais amigas — recorda o professor.

Desde 2014 o Grajaú é protegido como Área de Especial Interesse do Ambiente Cultural (Apac), que preserva o conjunto paisagístico, arquitetônico e cultural do bairro.

Com 102 anos de existência, o Grajaú foi planejado nos mesmos moldes da Urca, na Zona Sul. O professor de Arquitetura da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Cláudio Lima Carlos trabalhou na criação da Apac. Autor do livro “Conservação dos bairros cariocas de 1979 a 2006”, para ele o local é um dos mais preservados devido à ação dos moradores.

— A arquitetura se caracteriza pelo ecletismo. A tradição familiar preservou o Grajaú — diz Carlos, que lembra de outra função dos canteiros. — Eles acabam inibindo o estacionamento nas calçadas.

Fonte: O GLobo
Foto: Analice Paron / Analice Paron
Postado por: Raul Motta Junior